O argonauta Júlio Marques Mota responde à pergunta que ele próprio formulou
À pergunta formulada
Eis pois a questão que levanto aqui e agora, uma vez que Portugal se recusa viver em autarcia como um país pequeno que é, uma vez que a saída da zona euro unilateral é também ela inaceitável, uma vez que a saída apoiada pela UE é , por seu lado, impraticável, e tendo ainda em conta o conjunto, caracterizado pela ignorância, ganância e maldade, destes que nos governam, seja a nível regional seja a nível nacional, então o que fazer para não se morrer, mesmo que lentamente (!) com estas políticas que estão e estão mesmo para durar e talvez mais de dez anos, de acordo com as declarações de Jens Weidmann ao Wall Street Journal
eis a minha resposta
A minha resposta à pergunta feita no blog sobre o permanecer ou sair do euro
PARTE IV
(continuação)
…
Atrevemos-nos a colocar aqui mais uma hipótese que julgamos relevante: a disparidade na repartição de rendimento, fruto do modelo neoliberal, levou a um aumento de consumo nos bens de luxo importados por parte das classes de maiores níveis de rendimento cuja fatia do rendimento tem aumentado e a um deslocamento para o consumo de bens importados de mais baixa gama e vindos dos países emergentes nas classes de menores níveis de rendimentos que têm sido penalizadas. Aconteceu o mesmo nos Estados Unidos, conforme nos informava o New York Times. Os dois efeitos conjugados são provavelmente mais importantes que a redução das importações que resultam da aplicação de políticas fortemente recessivas. E em Portugal viu-se com a subida na gama de automóveis em 2010 e com a proliferação de lojas chineses, no baixo da gama. A mesma evolução, portanto.
Sobre esta questão podemos olhar para um conjunto de países relevantes para a nossa análise.
Gráfico XV: Balança Corrente-Défices, Excedentes, em % do PIB
Deste gráfico XV podemos retirar várias ilações relevantes:
1. A Inglaterra, apesar da sua arma “mortífera”, tem estado a deixar crescer os seus défices na balança corrente, ou seja, a política de austeridade nem para isso serve, enquanto em Espanha a política de austeridade tem levado à redução do défice.
2. Em Portugal o défice era relativamente elevado analogamente ao PIB em 2010, em cerca de 10%. Veja-se a grande obra do governo de Passos Coelhos na redução do défice, facilmente compreensível pelo corte nas importações e corte este pelas más razões: a falta de poder de compra.
Num país que não vive obcecado pela inflação, como se vive na zona euro e de acordo com o estipulado pelas regras do BCE para esta zona, onde a taxa de inflação aparece como um bom amortecedor da dívida, vejamos como evoluem os salários em termos nominais e a taxa de inflação.
Gráfico XVI: Evolução dos Salários e da Taxa de Inflação do Reino Unido
Aqui teríamos como na zona euro uma pressão à baixa dos salários nominais e igualmente dos salários reais embora de menor intensidade que na zona euro.
Mais um exemplo de que o modelo é o mesmo e em que o salário é sobretudo visto como um custo de produção que se deve reduzir custe o que custar. E como custo deve então ser reduzido ao máximo possível, dizem-nos, pois é assim o mercado.
Vejamos entretanto a problemática do emprego na Inglaterra factor que também não está desligado dos desequilíbrios externos verificados e da desindustrialização criada, vista a sua evolução em termos de volume e de taxa. Comparem-se os dados de 2008, de 2009 e os actuais e é claro que a austeridade num país e num quadro recessivo nunca pode ser encarada como solução à crise:
O desemprego em termos de taxa de desemprego: taxa e volumes
Gráfico XVII: A taxa de desemprego no Reino Unido
O desemprego na Inglaterra em termos de volume:
Gráfico XVIII: O desemprego no Reino Unido em volume
(continua)
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Ver a parte III, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:
http://aviagemdosargonautas.net/2013/08/17/saida-do-euro-a-minha-resposta-por-julio-marques-mota-3/




