agenda cultural modelo

por Rui Oliveira

 

 

   Caros leitores

 

   Reiniciamos a agenda cultural do PENTACÓRDIO em moldes algo diversos do ano anterior.

   Cépticos quanto à receptividade dum elencar exaustivo (como o fizémos na temporada anterior 2012/13) de tudo o que nos pareceu válido na área da capital (pois em nenhum comentário tal foi expresso), vamos passar a referir apenas os acontecimentos que prevemos tenham maior qualidade e originalidade. Fica entretanto um alerta, porventura óbvio. À parte outras selecções também divulgadas em sites profissionais (e há diversas), recomendamos em particular o serviço público prestado pelo programa AGORA na RTP 2 cerca das 22h, onde, com meios que nem os blogues nem os jornais diários dispõem, é divulgada informação com imagem muito interessante na antecipação de eventos culturais a fruir nos dias seguintes às emissões.

   E vamos então agora ao nosso modesto contributo.

   Assim :

 

 

 

   A actividade, nesta temporada 2013-14, do Centro Cultural de Belém arranca com um recital, em co-produção com o Instituto Cultural Romeno, que pretende ser uma antestreia em Portugal da 21.ª edição do Festival Internacional George Enescu, o maior festival de música clássica da Roménia, a ter lugar em Bucareste em Setembro de 2013.

14262_0_1 - válido   Para tal, actuará no Pequeno Auditório do CCB, às 21h desta Quinta-feira, 5 de Setembro, o duo de violino e piano composto pelos conceituados instrumentistas romenos, o violinista Gabriel Croitoru e o pianista Horia Mihail. O inédito deste recital é representado pelo facto de Gabriel Croitoru usar o violino Guarneri del Gesu, que pertenceu ao músico e compositor romeno George Enescu.

   Em complemento do recital será apresentada a exposição «O sonoro em instantâneos» por  Virgil Oprina, que consta de fotografias de várias edições do festival George Enescu dos anos 2000.

   Como programa teremos :

      Dvorak Sonatina para violino e piano

      Brahms Sonata 2 para violino e piano

      Kreisler Liebesleid

      Kreisler Liebesfreud

      Elgar Salut d’amour

      Sarasate Zapateado

      Enescu Balada

      Chostakovich Valsa

      Sarasate Zigeunerweisen

 

   É possível ouvir uma gravação de ambos os músicos no Bucharest Music Film Festival de 2012 tocando outra das peças conhecidas de Fritz Kreisler “Tambourin chinois, op. 3” neste registo :

 

 

 

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   Entretanto, no Teatro da Politécnica de 4 de Setembro a 19 de Outubro de 2013, em regra às 17h (ver horários), representa-se a peça estreada no Festival de Almada passado, “SALA VIP” de Jorge Silva Melo, numa encenação e produção de Pedro Gil.

sala_vip_4   São actores  Andreia Bento, Maria João Falcão, Elmano Sancho, António Simão e João Pedro Mamede, sendo a cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves, assistida por Ângela Rocha e a música de João Aboim.

   Trata-se duma solicitação, já com doze anos, do encenador ao dramaturgo que ambos comentam :

  “… Chegou a minha vez de dizer (ao Jorge) anda daí dar uma volta. Quero discutir com o Capitão Jorge, fazer um projeto assim, de ensaios, reuniões, leituras, reescritas, emails, trocas de livros e DVDs e perpetuar este gesto possível em recusa da morte. E quero também fazê-lo com os Artistas Unidos, janela para tudo o que de mais fresco se faz lá fora e cá dentro em dramaturgia e onde conheci tantos dos atores que admirei e ainda admiro. Em Sala V.I.P. para começar teremos cinco pessoas presas num Aeroporto Internacional. Depois faremos das palavras do Jorge as nossas perguntas; e depois do sucesso? do dinheiro? do orgasmo? do amor? da juventude? E depois do Teatro?” (diz Pedro Gil).sala_vip_3

   “… Quando o Pedro Gil me perguntou se eu estaria interessado em escrever para ele sabia que ia encontrar um interlocutor e não apenas um encomendador … Mas não queria fazer uma peça que lhe calhasse a matar, na sequência daquelas que ele tão bem tem feito. Queria que fosse minha, com as minhas inquietações, aquilo que me interessa, aquilo que me inquieta, este meu mundo que termina em breveE então será esta a minha Manon, sola, perduta, abandonata, com saudades de Puccini. Entre salas de espera, entre hospitais, spas e aeroportos, vamos morrendo, desfeitos. Que vais tu, Pedro, fazer disto? (responde Jorge Silva Melo).

   São excertos (para a curiosidade dos que a forem ver) :

 

  “Huskymiller/Dr. House  Não funcionam os rins nem o baço – não funcionam os pulmões.

   Leonora  Respiração assistida?

   Açucena  E a visícula, o apêndice? O estômago, a laringe? O diafragma, os intestinos.

   Leonora  Funciona alguma coisa?

   Huskymiller/Dr. House  Nem o cérebro. Não responde.

   Karsenty Jr  Não funciona o coração?

   Huskymiller/Dr. House  Não.

 

 

 

   Por último e ainda no teatro, a já prestigiada estrutura A Mala Voadora (que comemora 10 anos de actividade) apresenta, em resultado duma relação com o Teatro Oficina criada na Capital Europeia da Cultura, dois espectáculos no espaço NEGÓCIO da galeria ZDB, na Rua de O Século, nº 9 porta 5.

Título e Escritura Mala Voadora  ZDB   Em Título e Escritura, de Will Eno, o encenador Marcos Barbosa, do Teatro Oficina, dirige o actor Jorge Andrade, da Mala Voadora, de Quarta 4 a Sábado 7, às 21h30. De Quarta 11 a Sábado 14 será a vez de Sala Branca, de Don DeLillo, onde o encenador Jorge Andrade, da Mala Voadora, dirigirá um elenco no qual se juntam actores de ambas as companhias.

   No primeiro espectáculo, a cenografia e figurino será de José Capela , o desenho de luz de Ricardo Santos e a produção de João Lemos .

 

   Breve sinopse : O protagonista de “Título e Escritura” surge no palco como um viajante que, na sua errância, encontra o público da sala. Explora essa situação de encontro. Mais do que delinear uma narrativa, deambula por coisas que lhe ocorrem. Refere-se ao que lhe é familiar e ao que lhe é estranho. Tenta construir um quadro ontológico para si próprio, entre a possibilidade de existir um lugar com o qual sinta familiaridade e a de não existir. Aquilo que diz mantém-se entre a possibilidade de o actor estar a mentir (a fazer um “papel”) e estar a dizer a verdade (de estar a falar como o “actor num palco” que ele de facto é). Ou, então, é mais verdadeiro fazer um papel, do que fazer de conta que pode existir “verdade” num palco.

   Actor e encenador explicam a peça e exemplificam-na aqui :

 

 

 

 

   É tudo por hoje.

 

 

 

 

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