EDITORIAL – A Europa redime-se na América?

Imagem2A América, o «Novo Mundo», ao contrário do que acontece na Ásia ou em África, é uma extensão da Europa – a Norte o puritanismo saído da Reforma, impondo os valores da abundância e o dever de cada homem ser suficientemente rico para prover as necessidades da sua família; a Sul, o catolicismo obscurantista, defendendo e existência de ricos e pobres e a superioridade cristã da pobreza. A Norte, Canadá e Estados Unidos; a Sul, mais de vinte estados, onde se fala castelhano e português.

Perante a arrogância integrista dos Estados Unidos que, com presidentes democráticos ou republicanos, pretos ou brancos, se atribuem o direito de intervir em qualquer parte do mundo onde os seus interesses estejam a ser postos em causa, é de países como a Venezuela, o Uruguai ou o Brasil que se erguem vozes que contestam a «política de canhoneira» e denunciam a prepotência ianque.

 Não somos admiradores incondicionais de Dilma Rousseff, mas não podemos deixar de saudar a sua intervenção na Assembleia Geral das Nações Unidas, classificando como “inaceitável” o programa de vigilância electrónica criado pelos Estados Unidos e dizendo que as escutas de que foi alvo constituem “grave violação dos direitos humanos”.  A Presidente brasileira, que cancelou a sua visita de Estado aos EUA, referiu que a Agência de Segurança Nacional (NSA) interceptou as comunicações de cidadãos brasileiros, da Presidência e de representações diplomáticas e até de uma empresa.“ Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre elas, sobretudo, entre nações amigas”.Lembrando o seu passado de combate à ditadura, concluiu que “não há liberdade sem privacidade”, […] “Este é o momento de criar condições para que o espaço cibernético não seja usado ou manipulado como uma arma de guerra”, E propôs às Nações Unidas um acordo multilateral “para o governo e uso da Internet, e a protecção dos dados que viajam através dela” de acções de espionagem ou terrorismo. Um acordo que, diz, deve respeitar os princípios da liberdade, transparência, universalidade, diversidade cultural e neutralidade»

Em português ou em castelhano se contesta a hegemonia que os Estados Unidos e a corte de mordomos europeus querem impor. A criação de um mundo orwelliano, em que um Grande Irmão zela por nós e nos vigia para que não cometamos erros. Em castelhano e em português se condena a o princípio de que os Estados Unidos t<~em o direito de intervir onde quer que os interesses norte-americanos sejam postos em causa.

A submissão da criadagem europeia, bem expressa nos discursos ocos de Durão Barroso, pode ser simbolizada em poucas palavras pela pergunta de Juan Carlos a Hugo Chávez.

–       ¿Por qué no te callas?

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