Como anunciámos há dias atrás, vamos dedicar uma série de pequenos posts às intervenções militares norte-americanas, nomeadamente aos bombardeamentos que levaram a cabo depois de, em 1945, terem lançado bombas nucleares sobre duas as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui.
Numa carta aberta ao presidente Bush, publicada em Março de 2003, o escritor moçambicano expõe muitas das nossas dúvidas sobre a legitimidade que , à luz do direito internacional, os norte-americanos têm para atacar países soberanos. – Mia Couto começa por dizer: « Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito. Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir ?[…] Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho – a África do Sul do apartheid – violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o apartheid mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado “envolvimento positivo”.
E, a propósito do Iraque, da suposta posse de armas de destruição massiça, que foi o pretexto para bombardear o Iraque, Mia Couto vai desenvolvendo o seu raciocínio at´concluir que, nos países pequenos e sem peso político, há um arsenal muito perigoso para a segurança dos Estados Unidos, uma «arma de construção massiça» – a capacidade de pensar.
