POESIA AO AMANHECER – 298 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JORGE GOMES MIRANDA

( 1965 )

POESIA

Se outras preferiam os tecidos de seda

do desejo

ela dava-se à ganga coçada

do amor

depois de noites mal dormidas

Derivava pelas ruas perdidas

de uma cidade de luzes aquosas

opostas ao comércio

livre jogando a não ser vista

senão nos inquietantes interlúdios

das árvores

Pautávamos os nossos sonhos

pelos seus inaudíveis passos,

toques insistentes à porta

a desoras e sem avisar.

Nunca fomos tão felizes

como quando arrancados

literalmente da cama

a seguíamos pelas alamedas

até a um mar sem dano.

Porque de praias e luz

era feito o nosso corpo,

essa espécie de fome

(de “Postos de Escuta”)

Organizou a antologia “Tráfico. Antologia Crítica da Nova Literatura Portuguesa”. Da sua obra poética assinala-se: “O que nos protege. Pedra Formosa” (1995), “Portadas Abertas” (1999), “Curtas-Metragens” (2002), “Postos de Escuta” (2003).

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