Temos, por diversas vezes, chamado a atenção para as similitudes que, no plano socio-cultural, existem entre fado e tango. Canções urbanas, surgidas em cidades portuárias como Lisboa, Buenos Aires, Montevideu, revelam ambas uma intenção comum – a de cantar as preocupações, os anseios, nostalgias, da gente humilde – das classes trabalhadoras. As referências literárias ao fado são mais antigas do que as que reportam ao tango. Jorge Luis Borges, dando-se conta dessas similitudes, colocava o fado na linha genealógica do tango – o que não é difícil de explicar, considerando os milhares de portugueses que na passagem do século XIX para o XX, desembarcavam nas duas metrópoles do La Plata, com as suas guitarras na bagagem. Relações entre fado e morna são também matéria estudada. Porém, nós que, leigos no plano musical, apenas abordámos a questão na perspectiva histórica e social, deparámos com um curioso estudo de Vasco Martins, um conceituado musicólogo, que, partindo de uma edição da Sociedade de Geografia de Lisboa (1880 ou 1885)
