por Rui Oliveira
Neste Sábado, 12 de Outubro a Culturgest tem, no seu Grande Auditório, às 18h, um dos momentos maiores das comemorações do seu 20.º aniversário pois, em 11 de Outubro de 1993, começara a sua atividade com a realização de um concerto e a abertura de duas exposições e vinte anos depois replica essa mesma fórmula.
O concerto, de entrada gratuita para todo o público, será levado a cabo pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e Coro Gulbenkian sob a direcção musical de Cesário Costa, com a participação special de Pedro Burmester ao piano.
O programa, que se quis “festivo e celebratório, misturando o barroco com o contemporâneo”, divide-se em duas partes.
Na 1ª Parte :
Georg Friedrich Händel (1685-1759) Music for the Royal Fireworks (Música para os fogos de artifício reais), HMV 351
Johann Sebastian Bach (1685-1750) Concerto para cravo n.º 1, em Ré Menor, BWV 1052 interpretado ao piano por Pedro Burmester
Na 2.ª Parte :
António Pinho Vargas (n. 1951) Magnificat, para coro e orquestra (estreia absoluta por encomenda da Culturgest)
Juntamo-nos à homenagem à Culturgest reproduzindo a obra de Bach tocada pelo “The English Concert” dirigido por Trevor Pinnock :
Também como concertos com entrada livre há neste Sábado 12 de Outubro no Museu da Música (na Estação do Metro Alto dos Moinhos) dois com interesse, em particular o segundo.
Às 15h o coro de Paris Equivox actuará em conjunto com o coro CoLeGas da ILGA Portugal, tendo o coro francês 55 elementos, enquanto o português apenas 16 membros.
Às 17h há um Recital de Guitarra Clássica com Sándor Mester onde interpretará peças de Francisco Tarrega, Alain Oulmann, Carlos Paredes, John Dowland e Heitor Villa-Lobos.
Mostramos-lhe abaixo este instrumentista tocando um Prelúdio em Mi Maior de J.S. Bach :
Continuam, neste Sábado 12 de Outubro, na Igreja de São Vicente de Fora, às 17h, os Concertos de Órgão desta temporada Outono/Inverno.
Num dos mais significativos instrumentos históricos da Europa, construído em 1765 por João Fontanes de Maqueira e restaurado em 1994 por Claudio Rainolter e Christine Vetter, vai tocar a organista Ana Paula Mendes, acompanhada pelos Pequenos Cantores de São Bruno.
No programa constam de Georg Muffat (1653-1704) Toccata prima, de Jacob Arcadelt (1514-1557) Ave Maria (coro e órgão), de Antonio Caldara (1670 -1736) Benedictus Deus (coro e órgão), de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594) Gloria Patri (coro e órgão), de Francisco Correia de Arauxo (1584-1654) Glosas sobre el canto llano de la Inmaculada Concepción, de Pablo Bruna (1611-1679) Tiento de 2º tono sobre la letanía de la Virgen, de Joan Cabanilles (1644-1712) Xácara e Corrente Italiana, de Bernardo Pasquini (1637-1710) Partite sopra la Aria della Folia da Espagna e de Anónimo (Espanha, Séc. XVII) Peça de clarins.
Não havendo registo desta organista, deixamo-lo a ouvir a primeira peça de Georg Muffat tocada por Francesco Cera num órgão da mesma época (1759) de Johann Konrad Woerle existente na Igreja de San Giuseppe em Leonessa (Itália) :
Já em espectáculos comerciais o Centro Cultural de Belém dá à escolha dois eventos de tipo bastante distinto.
No seu Grande Auditório, às 21h, poderá ouvir-se a muito conhecida (e aclamada, reconheça-se) cantora norte-americana Stacey Kent que regressa a Portugal no âmbito do ciclo Incubadora Jazz Cycles.
Acompanhada da sua guitarra, virá acompanhada de Jim Tomlinson (tenor saxofone, soprano saxofone e percussão), Graham Harvey (piano), Jeremy Brown (contrabaixo) e Josh Marrison (bateria e percussão).
Como lembra o CCB, dela disse o multi-galardoado Jay Livingston (três vezes vencedor do Óscar de Melhor Canção Original) : “… tem o estilo das grandes vozes como Billie Holiday e Ella Fitzgerald e canta as palavras como Nat King Cole – claras, limpas, com um fraseado perfeito …”.
O teste pode ser feito aqui ouvindo-a cantar What a Wonderful World.
Já no Pequeno Auditório, às mesmas 21h e integrado no ciclo Há Fado no Cais, canta Miguel Capucho, segundo o CCB
“um dos fadistas mais representativos da sua geração”.
Tendo começou a cantar muito novo, revelou-se aos 18 anos num espectáculo exactamente no Centro Cultural de Belém, ao lado de João Braga e outros nomes que faziam parte da nova geração do Fado na altura, como Rodrigo Costa Félix, Maria Ana Bobone e Mafalda Arnauth.
Por curiosidade mostramos-lho aqui cantando nos seus inícios o fado Praia Perdida de António Cálem.
Por fim, os amantes de jazz têm a oportunidade de ouvir no Hot Clube (Praça da Alegria, nº 48), às 22h30,o francês “Didier Labbé Quartet” num concerto intitulado “Écho à Abdullah Ibrahim”.
Em palco estarão Didier Labbé – saxofone e flauta, Laurent Guitton – tuba, Grégory Daltin – acordeão e Alain Laspeyres – bateria.
Trata-se do resultado duma digressão do Quarteto ao continente africano, nomeadamente à África do Sul, para prestar homenagem ao compositor e pianista sul-africano Abdullah Ibrahim, mais conhecido pelo nome de Dollar Brand, cuja música reflecte a complexidade identitária do seu país através da riqueza e da diversidade retirada dos cantos malay da Cidade do Cabo, da música tradicional, dos standards do jazz afro-americano, da música carnavalesca e das músicas religiosas.
Eis um excerto dum espectáculo de homenagem semelhante a que associaram o bailarino sul-africano Theo Ndindwa :
Caros leitores
Advirto, com pesar, que brevemente (talvez mesmo amanhã) terei de interromper a publicação do Pentacórdio por motivos pessoais inadiáveis.


