PORQUÊ HANNAH ARENDT? – por Carlos Loures

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A essência dos Direitos Humanos é o direito de ter direitos

Hannah Arendt

 O sucesso ou o fracasso de umaa revolução pode sempre ser avaliado,

medindo-se de que modo e em que grau o estatuto da mulher

se modificou sob um governo progressista.

Angela Davis

Não escolhemos Hannah  Arendt como figura tutelar desta edição pelo seu papel como feminista. Muitas outras mulheres merecem, mais do que ela, essa classificação. Hannah Arendt, com a limpidez do seu pensamento é sobretudo um exemplo de humanista – é uma prova viva, se de provas se necessitasse, de que a clarividência não escolhe géneros. Por outro lado, a sua tese da banalização do mal, explica como é que a sociedade alemã, uma das mais cultas do mundo, pôde aceitar as monstruosidades que os nazis cometeram. E não se pense que não havia um amplo apoio ao Partido Nacional Socialista – 50% dos médicos, para falar numa corporação das mais prestigiadas, filiaram-se no partido. As absurdas «verdades» que a demência nazi criava, eram aceites como dogmas indiscutíveis. Explica também como é que a ideia absurda da inferioridade mental feminina tem sobrevivido a revoluções (leia-se a citação de Angela Davis). A banalização do mal e dos falsos conceitos, transforma uma espécie cujo traço distintivo é a inteligência em seres incapazes de usar a inteligência, em títeres á mercê da manipulação  obscurantista.

 

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