A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL – 17 – por Sérgio Madeira

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Capítulo dezassete

Nos capítulos anteriores Em Abril de 2009, António Amaral é aconselhado pelo cardiologista, um companheiro das lutas académicas a convalescer de um leve acidente cardiovascular indo duas ou três semanas para Porto Santo. Ao fazer o seu jogging matinal pela praia, encontra o corpo de um homem morto tiro. Nos dias seguintes, as investigações decorrem. António e sua mulher, Cecília, vão conhecendo pessoas na ilha. Outro plano narrativo decorre em 1972 onde, em Moçambique, se desenrola uma operação militar contra uma aldeia suspeita de abrigar um líder da guerrilha. Enquanto António e Cecília vivem a tranquilidade de Porto Santo, em Xuvalu, consumado o massacre, as tensões eclodem entre militares e agentes da polícia política.

Em poucos minutos venceu a distância que o separava do restaurante. A esplanada tinha algumas mesas ocupadas, estrangeiros na maior parte. O tenente Fragoso, com o seu uniforme branco, esperava-o de pé, com os binóculos pendurados ao peito. Depois de se cumprimentarem, sentaram-se. Fragoso não perdeu tempo-

– Sabe uma coisa?  Já conseguimos identificar o nosso homem da praia, o morto…

– Sim? Quem é? – perguntou António-

Sem responder, o tenente pareceu hesitar em continuar e depois acrescentou – Bem, aqui não é o melhor local para falarmos, olhou em redor e concluiu – será que esta tarde  lhe daria jeito passar pela capitania?  Fica no centro,  defronte,

 – Claro que me dá jeito – respondeu António – se preferir, passarei ainda de manhã, logo depois da minha caminhada pela praia e de ir ao hotel tomar um duche e mudar de roupa.

– Não, teria de ser de tarde depois das três – e,  solícito, acrescentou –  se não puder hoje pode ser amanhã… De tarde – não deixe de fazer a sua caminhada profilática.

Na manhã do crime, enquanto esperavam na praia, junto do corpo,  pelo delegado de saúde, António explicara resumidamente ao tenente os motivos, mais clinicos do que turísticos,

para a sua estada na ilha.  A despreocupação era  a pedra basilar da terapêutica.

– Irei hoje. Às três em ponto, lá estarei.

– Muito bem. Vou avisar o inspector Ramos.

– O inspector?

Um marinheiro também unifirmizado veio junto da mesa,, fez a continência regulamentar e informou o tenente de que na Capitania o espervam para uma reuniãao.

António insistiu:

~- Quem era o homem?

– Logo à tarde saberá- – Olhou em volta em bi«usc do eempregado. António disse:

– Não se preocupe com o café. Eu pago.

– Aceito e agradeço. Estou atrasado,

António viu-o afastar-se na direcção do pequeno parque de estacionamento. Chamou o empregado que assomou à porta do restaurante. Quando o viu, falou para o interior, e passado pouco tempo. a senhora estrangeira,  concessionária do restaurante, D.Mary e o Aníbal,  o jovem empregado,  vieram cumprimentá-lo. António levantou-se e convidou a senhora a sentar-se. Ela aceitou e quando António se voltou a sentar disse para o empregado:

– Aníbal, traz dois cafés… – olhou António interrogativamente. –

<Não, para mim não, muito obrigado. Só poso beber um… – e acrescentou – ordens do médico.

Quando Aníbal se afastou, Mary disse:

–  Já se sabe quem era o morto…

NO PRÓXIMO CAPÍTULO – Cai o pano em Xuvalu.

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