“EDITAR É O GRAU SEGUNDO DE LER” DIZ CARLOS VEIGA FERREIRA – por Clara Castilho

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Os editores são assunto de edições. E Clara Castilho foi assistir ao lançamento do segundo volume da colecção Protagonistas da edição, dedicado a Carlos Veiga Ferreira, o fundador da Teorema. O primeiro volume foi sobre Fernando Guedes, o homem forte da Verbo, Segue-se Guilhermina Gomes, a directora editorial do Círculo de Leitores.

 

Depois de passar pelo Cais das Colunas, com um mar revolto e um ar cinzento que nos mergulhava num mundo deprimente, chegar à Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, e encontrar o ambiente caloroso que aí se vivia, foi uma forma de aquecer  a alma e acreditar que valeu a pena sair de casa.

Refiro-me ao lançamento que aí se processava, do livro Carlos da Veiga Ferreira: Os editores não se abatem, segundo volume da coleção «Protagonistas da Edição», criada pela Booktailors com o objetcivo de preservar a memória da história da edição em Portugal. Cada volume resulta de uma entrevista feita pela jornalista Sara Figueiredo Costa a uma figura importante da nossa história da edição. O primeiro volume da colecção incidiu sobre Fernando Guedes.

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Nelson de Matos, também editor e amigo de longa data de Carlos da Veiga Ferreira, falou sobre a obra, considerando-o, «um homem dinâmico, trabalhador, persistente».  Ao tomar a palavra Veiga Ferreira referiu, agradecendo, todos os que com ele trabalharam ao longo das várias experiências em que se aventurou. Homem persistente,  coerente e que sabe fazer e manter amigos.

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A história da passagem da Editorial Teorema para o grupo Leya e as razões que levaram à sua saída é um dos episódios relatados no livro, episódio que ilustra a situação do nosso campo editorial actual. Ressalta a ternura com fala dos seus escritores vivos, de quem é amigo, e podemos imaginar os profícuos jantares e almoços, de preferência ao ar livre, para que o editor possa fumar os seus cigarros…

 Por mim, ali, pouca gente conhecia. Como foi lá referido, o conjunto fazia lembrar uma assembleia-geral da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros)… Mas a presença de uns poucos amigos fez-me recordar alguns fins se semana passados, na década de 80, na casa que então possuía na serra da Arrábida. Em época de poucos compromissos para todos os presentes, aproveitava-se a possibilidade do convívio e da vivência da amizade. Com os belos petiscos feitos por dois deles, as refeições bem regadas, o calor sufocante durante o dia, a noite estrelada, o tempo ia passando de forma ligeira. A ironia do Veiga Ferreira e do pintor Renato Cruz, arranjando ligações inesperadas entre os assuntos, comparações inteligentes que não nos passariam pela cabeça, faziam-nos sentir que as nossas vidas se processavam num mundo leve em que eternamente nos poderíamos encontrar (com a Elisa Costa Pinto, o Carlos Rosa e o Carlos Ramalho). Não foi bem assim, claro, mas ali estávamos todos de novo, naquele momento. Sem podermos “chegar” ao Veiga que era muito solicitado, mas orgulhosos de sermos seus amigos. E agradecidos pelos belos livros que até nós fez chegar.

 

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