TOMAZ VIEIRA DA CRUZ
( 1900 – 1960 )
N’GOLA – FLOR DE BRONZE
Filha de branco que morreu na guerra
e duma preta linda do Libôlo,
o teu olhar até de noite encerra
todo o luar das lendas de Catôlo!
Ó flor estranha! Já não tem consolo
a tua mágoa, a tua dor na terra!
Ó flor estranha do febril Capôlo
neta dum soba que perdeu a guerra!
Estátua ardente em bronzeadas chamas
que tentação e perdição derramas
por sobre a história negra, quase finda!
Neta dum soba que acabou chorando,
filha de branco que morreu lutando
e duma preta tristemente linda!
(de “Tatuagem – Poesia d’África”)
Português radicado em Angola, foi co-fundador do jornal “Mocidade”(Novo Redondo). Retomou as experiências poéticas do século XIX, dando à sua poesia o título de “lira mulata”. Publicou “Quissange – Saudade negra” (1932), “Vitória de Espanha” (1939), “Tatuagem –Poesia d’África (1941), “Cazumbi – Poesia de Angola” (1950), “Cinco poesias d’África” (1950). O volume “Quissange” (1971), reúne “Tatuagem”, “Cazumbi” e “Quissange”.

