POESIA AO AMANHECER – 308 – por Manuel Simões

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TOMAZ VIEIRA DA CRUZ

( 1900 – 1960 )

N’GOLA – FLOR DE BRONZE

Filha de branco que morreu na guerra

e duma preta linda do Libôlo,

o teu olhar até de noite encerra

todo o luar das lendas de Catôlo!

Ó flor estranha! Já não tem consolo

a tua mágoa, a tua dor na terra!

Ó flor estranha do febril Capôlo

neta dum soba que perdeu a guerra!

Estátua ardente em bronzeadas chamas

que tentação e perdição derramas

por sobre a história negra, quase finda!

Neta dum soba que acabou chorando,

filha de branco que morreu lutando

e duma preta tristemente linda!

(de “Tatuagem – Poesia d’África”)

Português radicado em Angola, foi co-fundador do jornal “Mocidade”(Novo Redondo). Retomou as experiências poéticas do século XIX, dando à sua poesia o título de “lira mulata”. Publicou “Quissange – Saudade negra” (1932), “Vitória de Espanha” (1939), “Tatuagem –Poesia d’África (1941), “Cazumbi – Poesia de Angola” (1950), “Cinco poesias d’África” (1950). O volume “Quissange” (1971), reúne “Tatuagem”, “Cazumbi” e “Quissange”.

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