EDITORIAL – DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO

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Hoje celebra-se o Dia da Livraria e do Livreiro. Por entre tantos Dias que se celebram, uns relativos a causas sem dúvida merecedoras do maior interesse de toda a gente, outros sobre temas menos importantes, este tem um sabor especial, um tanto amargo nos dias que correm. Sabor especial porque diz respeito a  um dos esteios mais importantes da nossa civilização, o livro. Amargo por vermos as dificuldades por que as livrarias e os livreiros estão a passar. E se a livraria é apenas a loja onde se vende os livros, e o livreiro não é forçosamente um escritor (não são assim tão poucos os  que o são), o que seria se não existissem? Como faríamos quando quiséssemos escolher um livro para estudar um determinado assunto, ou pura e simplesmente para efeitos de distracção? Poderíamos recorrer a uma biblioteca, talvez, se existisse, mas como adquiri-lo? A livraria como local para chegarmos a um livro, e o livreiro para no-lo revelar, são imprescindíveis.

A chamada crise financeira, que é na realidade uma crise de toda a nossa civilização, abateu-se com severidade sobre a livraria e o livreiro. Não foi por acaso. A pressão que procura reduzir as pessoas ao nível de sobrevivência, por vezes abaixo dele, tem efeitos catastróficos sobre a cultura e os seus esteios. O livro está na linha da frente da luta. O encerramento de livrarias tem ocorrido de forma impensável¸ pela dimensão a que chegou. Há meses, noutro editorial, falámos da Sá da Costa, essa grande livraria, que encerrou, teme-se que definitivamente. E que dizer da Portugal, da Barateira, e de quantas mais? Fora de Lisboa, na Grande Lisboa, quantas livrarias se mantêm abertas? E no Norte? No resto do país? É verdade que comer e vestir tem que vir primeiro, mas sem a circulação de livros, a quebra no nível cultural de uma cidade ou de uma região é inevitável, e vai ter efeitos fatais sobre o nível de vida.

É a segunda vez que se celebra este Dia, em Portugal. Será um dia para recordar estas realidades. A austeridade tira-nos a segurança económica, a saúde, a educação. O seu trabalho será muito facilitado com o encerramento das livrarias, e a extinção da raça dos livreiros. Hoje, 30 de Novembro, é verdade que passam 78 anos sobre a morte de Fernando Pessoa, mas todos sabemos que o poeta, lá no céu, vai estar muito contente a ver-nos celebrar as livrarias e a homenagear os livreiros.

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