A ANÁLISE AMERICANA DA ECONOMIA A NÍVEL MUNDIAL (EXCERTOS) (1) – UMA SÍNTESE por JÚLIO MARQUES MOTA

A Análise Americana da Economia a nível mundial ( Excertos) [1]

PARTE VII

Análise individual das diversas economias

 Ásia

China

(continuação)

Há fortes indícios de que o processo de ajustamento do RMB tem substancialmente mais ainda a fazer antes de se chegar à posição de equilíbrio. A balança corrente da China permanece excedentária e a China continua a atrair capitais em termos líquidos ou seja continua a captar investimento directo estrangeiro. O crescimento do PIB na China permanece mais forte do que nas economias avançadas, e sua taxa de juro de equilíbrio é igualmente maior. O PBOC continua a acumular reservas e a intervir no mercado para evitar a apreciação do RMB, embora a escala da intervenção necessária varia de mês para mês, em resposta à escala dos fluxos do mercado.. Além disso, se o ritmo futuro de apreciação não acompanhar o rápido crescimento de produtividade da China, há um risco de que poderia aumentar o grau de subavaliação do RMB, resultando daí uma outra ampliação dos desequilíbrios externos. O FMI concluiu na sua consulta recente com a China ao abrigo do artigo IV, que o RMB está moderadamente subvalorizado contra um amplo cabaz de moedas e o Pilot External Sector Report do FMI fala em 5 a 10 por cento em termos de taxa de câmbio efectiva real.

As reservas acumuladas pelo PBOC são de US $3,66 milhões de milhões é equivalente a 44 por cento do valor do PIB da China em 2012, ou cerca de US $2.704 para cada cidadão chinês[1] . Este é um valor excepcionalmente alto em comparação com as reservas de outras economias e bem para além do valor adequado de reservas. O valor das reservas cambiais da China é quase tão grande quanto a quantidade total de reservas de divisas detidas pelo conjunto das economias avançadas e responde por quase metade de todas as reservas de divisas realizadas pelos países emergentes e pelas economias em desenvolvimento. A evidência de que a China retomou as suas compras de divisas em grande escala este ano, apesar de ter já acumulado US $3,6 milhões de milhões de reservas, e estas são mais do que suficientes qualquer que seja o ponto de vista em que sejam medidas, é sugestiva de acções que estão a impedir a determinação pelo mercado e de uma moeda que é significativamente subvalorizada.

A China ainda não fornece uma divulgação transparente das suas actividades quanto às reservas cambiais. Como resultado, os participantes do mercado e os outros observadores devem recorrer a estimativas sobre a intervenção chinesa usando os níveis de reservas publicados. É um dos apenas dois membros do G-20 que não fazem nenhum relatório sobre reservas cambiais reservas sob Special Data Dissemination Standard (SDDS) do FMI, a norma internacional para relatórios públicos de dados sobre reservas. Muitos dos maiores países emergentes de mercado. incluindo a Índia, Rússia e Brasil, divulgam a sua intervenção mensal no mercado cambial bem como divulgam os seus dados sobre as suas reservas,  de acordo com o modelo SDDS do FMI. Uma maior divulgação das suas actividades no mercado de divisas através da participação no SDDS e no Currency Composition of Foreign Exchange Reserves (COFER) seria consistente com o compromisso assumido pela China na Cimeira do G20 em 2012 em Los Cabos para aumentar a transparência da sua política de taxa de câmbio.

Em conformidade com a prática da maioria das outras nações do G-20, a China deve publicar as suas intervenções no Mercado de câmbios e de forma regular para assim aumentar a credibilidade do seu quadro de política monetária e para promover a transparência  nos mercados financeiros e na  formação da taxa de câmbio.

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[1] Além disso, a China tem transferido (ou feito swap’s) algumas das suas reservas cambiais acumuladas com bancos comerciais, assim  como capitalizou a China Investiment Corporation (CIC), o seu fundo de riqueza soberano. O sector empresarial do Estado chinês como um todo, incluindo o PBOC, bancos estatais e CIC, detém aproximadamente US $4 milhões de milhões em activos expressos em moeda estrangeira.

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[1] Excertos de:  Report to Congress on International Economic and Exchange Rate Policies; U.S. Department of the Treasury, Office of International Affairs, October 30, 2013

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Para ler a Parte VI desta síntese de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:

http://aviagemdosargonautas.net/2013/12/22/a-analise-americana-da-economia-a-nivel-mundial-excertos-1-uma-sintese-por-julio-marques-mota-6/

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