CHARLES CHAPLIN – por Carlos Loures

Nós, os ateus e agnósticos também temos os nossos rituais e, sobretudo, as nossas contradições. Por exemplo, detesto o Natal e tudo o que de falso e hipócrita representa, mas gosto das iguarias que a esta quadra são associadas. Outro exemplo – há vários anos que neste dia publico um texto dedicado a Charles Chaplin que nos deixou num dia de Natal. E, por palavras diferentes, conto sempre a mesma história. É um ritual.

Morava no Murtal, próximo da Parede e, naquele dia de Natal de 1977, os meus pais e a minha irmã ainda solteira tinham ido almoçar a minha casa. À mesa, eu, minha mulher, meus filhos, pais e irmã, após a refeição, conversávamos e para que a televisão não interferisse nas nossas conversas, tínhamos-lhe retirado o som. Em certa altura, vimos que estavam a emitir filmes de Charlot uns atrás dos outros e pensámos que era mais um programa natalício. Porém, estranhámos a frequente intervenção do locutor que, entre a emissão de dois filmes, falava com ar grave. Como todos nós, dos mais novos aos mais velhos, éramos admiradores de Chaplin, ligámos o som. Então percebemos – Charles Chaplin tinha morrido.

Era um clown, um palhaço divino. Um grande actor e um homem coerente.

Presto-lhe a singela homenagem de neste dia o recordar.

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