POESIA AO AMANHECER – 382 – por Manuel Simões

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                                   BERNARD B. DADIÉ

                                           ( 1916 –  ?  )

            FOLHA AO VENTO (fragmento)

            Sou o homem cor da Noite

            Folha ao vento, vou ao sabor dos sonhos.

 

          Sou a árvore que germina na Primavera

            O orvalho que canta no vazio do baobab.

 

            Folha ao vento, vou ao sabor dos sonhos.

 

            Sou o homem que dá escândalo,

            Porque é contra a etiqueta.

            O homem de quem se ri

            Porque é contra as barreiras.

 

            Folha ao vento, vou ao sabor dos sonhos.

 

            Sou o homem de quem se diz:

                        «Ah! aquele!»

            Aquele que não pode agarrar

            A brisa que te aflora e foge.

 

            Folha ao vento, vou ao sabor dos sonhos.

            …………………………………………

            (de “La ronde des jours”, versão de MS.)

 Poeta e romancista da Costa do Marfim, de expressão francesa. Estudou no Senegal e foi funcionário do Instituto Francês da África Negra em Dakar. A sua poesia assume o orgulho da negritude como testemunham estes versos: «Agradeço-vos, meu Deus, por me ter criado negro/ O branco é uma cor de circunstância/ O negro, a cor de todos os dias». Da sua obra poética: “Afrique debout” (1950), “La ronde des jours” (1956), “Hommes de tous les continents” (1967).

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