Estranhas luzes da noite
Amarelo-laranja na neblina
O mundo é outro aqui
– so civilized
A vida é outra
– polite & humanized
Contudo ( ainda que te ame
e tanto)
Londres, devo partir
Meu mundo é outro
Lá onde beleza e encanto
Ocultam o escândalo
– a miséria
Lá onde o gigante dorme
E enquanto dorme espera
– o instante do futuro
E sonharei contigo pensando na parcela
De culpa que há em tua beleza
No que fizeste ao mundo
criando o teu império
No que te faz o mundo
passada a tua realeza
Mas não importa agora, te digo adeus
com pena
De te deixar
e ao teu pulsar vibrante
Pena só de partir
porque partir é triste
E porque te amo,
Londres
assim como és
Suja, culpada e bela.
(Publicado em MULHERES (IN) VERSOS, antologia, Massao Ohno Editor, São Paulo/Rio 1990)
Ilustração – quadro de Dorindo Carvalho

