“ABRIL, ESPERANÇAS MIL” na ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA – 30 de ABRIL 2014

A BARRACA foi  convidada pela Dra Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República a participar nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril.

O espectáculo realizou –se no dia 30 de Abril na sala do Senado e constituiu um momento muito especial  da Arte cénica pela sua qualidade e pela comunhão estabelecida com uma sala super –lotada com um público  afectivo e entusiasta.

Como, surpreendentemente ( ou talvez não), a comunicação social não se referiu a este facto tão relevante pela colaboração entre uma entidade oficial e uma cooperativa teatral, achei que seria obrigatório divulgar o que se passou nessa noite com esse raro acontecimento de Cultura aberta e popular.

A folha de sala continha  o Editorial :

ABRIL, ESPERANÇAS MIL

25 de Abril de 1974 foi uma data Revolucionária.

Porque conseguiu canalizar e ser o resultado lógico de um sem número de frustrações, misérias e humilhações económicas, políticas, sociais e culturais e da luta de todo um povo para melhorar as suas condições materiais e construírem uma vida digna.

Porque, convém  não esquecer que  as revoluções não acontecem por acaso.

Os povos desejam a Paz e , por isso, receiam as Revoluções. Receiam os crimes, as vinganças, as novas injustiças.

À Revolução Portuguesa  cabe a honra de ter sido executada sem um tiro, e ao povo português que a apoiou homenageamos por ter sabido comportar –se como um cidadão digno, honesto e de elevado sentido moral e ético.

Este espectáculo  tenta fazer o balanço desta  experiência  democrática de 40 anos.

Sem azedumes  e com um olhar compreensivo para uma sociedade e um povo que tem frequentemente andado à deriva e que, todos estão de acordo, merecia melhor sorte depois de ter suportado uma ditadura de quase meio século e uma guerra colonial que lhe roubou milhares de filhos.

Termino com Eça de Queiroz :

Os que sabem dar a verdade à sua pátria não a adulam, não a iludem, não lhe dizem que é grande, porque tomou Calicute; dizem-lhe que é pequena porque não tem escolas. Gritam-lhe sem cessar a verdade rude e brutal. Gritam-lhe: tu és pobre, trabalha! tu és ignorante, estuda!, tu és fraca, arma-te!”

Bom espectáculo!

Hélder Costa

Seguia –se  um curto curriculum de A Barraca, a ficha técnica e artística referindo o texto e encenação de Hélder Costa, direcção de Arte de Maria do Céu Guerra, os técnicos Paulo Vargues, Fernando Belo e Ricardo Santos e o elenco com Maria do Céu Guerra, João D’Avila, Sérgio Moras, Adérito Lopes, Susana Cacela, Sónia Barradas , Isa Magalhães  e – muito importante porque demonstra o compromisso da BARRACA com a Educação – , a participação de 14 estagiários do Curso Profissional de Artes de Espectáculo – interpretação, do Instituto de Desenvolvimento Social- IDS.

Refere-se também a participação da Banda do Exército que executou brilhantemente o Hino Nacional no encerramento do espectáculo.

E no que consistiu a peça? Trata-se de um “fresco” sobre os 40 anos do 25 de Abril.

Começa com uma interrogação que consideramos o início do 25 de Abril – ou das suas consequências –, que fizeram os Pides na sua sede durante as longas horas em que ninguém os foi prender?

Depois surge uma família popular que vai reflectindo as alegrias, o progresso e os desânimos e desesperos que se sucederam neste período. Enquanto a “outra vida “ se processa : crise política com Spínola, aparecimento dos partidos, eleições, “prec”,25 de Novembro, “entrada” para a Europa, a escola, férias, aparecimento do nazismo, destruição da agricultura e da pesca, emigração, desemprego, fome, discurso de esperança para reagir contra o medo.

Toda a peça – apesar do tema difícil – , contém a poética , o humor e o gosto satírico que foram sempre a imagem de marca da BARRACA.

Faremos todos os esforços para voltar a montar esta peça e assim corresponder aos convites de itinerância que começaram a surgir.

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