POESIA AO AMANHECER – 454 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

                                   MARLY DE OLIVEIRA

                                          ( 1935 – 2007 )

 

            A JORGE LUIS BORGES

            (fragmento)

 

            Já cego e um pouco surdo o conhecemos,

            falando baixo e pausado.

            Era uma noite diferente,

            acompanhada da leitura de Whitman,

            de um poema em anglo-saxão,

            de considerações sobre Euclides

            e seus Sertões.

 

            […]

            Ali se renasce:

            em Florença, onde

            a cada passo o assalto

            de um monumento, um museu,

            uma lembrança de Dante

            ou Beatriz, no poema

            que o tempo só engrandeceu,

            sem desvendar de todo.

            E a Anunciação de Leonardo?

            E a Vênus de Botticelli surgindo

            sempre da Primavera?

            Corre o Arno, sob a Ponte Vecchio

            e o sino do Campanile de Giotto

            i se ouve na tarde, tão memória,

            que cai sobre mim, lentamente.

 

            (de “Aliança”)

Poetisa de tom metafórico e filosófico. Da sua extensa obra poética destacamos: “Contatos” (1975), “Aliança” (!979), “A força da Paixão & a incerteza das coisas” (1984), “Retrato/Vertigem/Viagem a Portugal” (1986), “O deserto jardim” (1990), “Uma vez, sempre” (2001).

 

 

1 Comment

  1. Bem lembrada, Manuel Simões, a poesia dessa grande brasileira, tão cedo desaparecida, logo após a morte de seu companheiro,o imenso João Cabral de Melo Neto.
    A poesia de Marly de Oliveira tem recebido menos atenção do que merece.
    Obrigada, Manuel Simões!
    abraço da
    Rachel

Leave a Reply