NAURO MACHADO
( 1935 )
O CAMINHO DAS ÍNDIAS
A água dispara seu óxido
no signo das tetas.
(Palavras da palavra
placenta das palavras.)
O eco frustra a manhã
de inviável vocábulo.
Nessa noite dormimos
subterrâneos sóis.
(Placenta de planetas
o útero das palavras)
(de “Jardim de Infância”)
Na sua poesia alterna o ritmo da canção amorosa com a denúncia violenta e populista de um Brasil apático. Da sua obra poética recordamos: “Campo sem base” (1958), “O exercício do caos” (1961), “Zoologia da alma” (1966), “Túnica de ecos” (1999) e “Jardim de infância” (antologia, 1999).

