POESIA AO AMANHECER – 478 – por Manuel Simões

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                                   ARICY CURVELLO

                                                  ( 1945 )

 

            MORFOSE

 

            símiles, vozes, labirintos,

            como alguém que um poema principia,

 

            segues imagens ao confim do não,

            dúbios, dúbios desenhos que mais são

            lábios de noite ou silêncio

            ou vozes de outra voz outra forma aparência

 

            nomeio do mundo no meio da linguagem

 

            sombras de sombras são que te encontram

            sentir sem poder de captura, mas verde é esse

            beijo,

            lento crescer de enigma

 

            símiles vozes labirintos

            como alguém que um poema principia

            (de “Reflexos…” )

Poeta, ensaísta e tradutor. Atingido pelo golpe militar de 1964, transferiu-se do Estado de Minas Gerais para a Amazónia. Inserido em várias antologias (Portugal e Uruguay), designadamente em “Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal” (2000). Da sua obra poética: “Os dias selvagens te ensinam” (1979), “Vida Fu(n)dida” (1982, “Mais que os nomes de nada” (1996).

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