NESTE DIA… Em 15 de Agosto de 1191 ou 1192 (?) nasceu Fernando de Bulhões

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Diz-se que Fernando de Bulhões, que viria a ser conhecido sob o nome de António, Santo António, pode ou não ter nascido em 15 de Agosto. Há quem diga que sim. Aqui deixamos um artigo que, sobre ele, publicámos em 2013,

FERNANDO, UM RAPAZ DE ALFAMA BEM SUCEDIDO EM ITÁLIA – por Carlos Loures

Hoje 13 de Junho, parece que com o apoio da meteorologia que, por enquanto, não é controlada pela troika, mas com as sardinhas a 2 euros a unidade (e esse escandaloso preço já pode ser imputado à tríade estrangeira e aos seus mastins portugueses), preparamo-nos para celebrar o santo que terá nascido por volta de 1191,1192… na zona de Alfama, mais propriamente nas imediações da Sé catedral. Morreu em Pádua em 13 de Junho de 1231. Santo António, Santo Antônio no Brasil.

Por falar no Brasil, onde temos numerosos leitores e amigos, os nossos irmãos  criaram há décadas atrás uma nova modalidade literária  – a «piada de português», anedotas que conduzem sempre ao mesmo desfecho – «português é burro». Com esta característica, o português – modelo é padeiro e chama-se ou Manuel ou Joaquim. Eduardo Lourenço, um humanista português, afirma que se trata de um mecanismo freudiano através do qual os brasileiros ajustam contas com o pai. Usando este blogue como universo, com mais de cinco dezenas de colaboradores, registam-se como nomes mais frequentes cinco Carlos e quatro Antónios (ou Antônios) – Um Manuel (e uma Manuela) e nenhum Joaquim. O Manuel também foi professor em Itália e durante mais tempo do que o Fernando.Mas há dois Vascos e dois Fernandos. Não há, por acaso, nenhum padeiro. Quod erat demonstrandum…

Voltando ao Fernando e entrando na perigosa senda das generalizações, diria que é nome de lisboeta célebre. O Fernando do Desassossego, é famoso em todo o mundo. Mas o outro Fernando, o que hoje é celebrado,  nascido em Alfama, antes de Nuno Crato estabelecer o ranking de empregabilidade dos cursos superiores – estudou Direito em Coimbra e, sem recorrer ao programa Erasmus, viajou por Itália e França, partilhando o que sabia por essa Europa. Distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo, morreu com menos de 40 anos, mas ganhou o que equivalia na sua época ao prémio Nobel – foi canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer. Chamava-se Fernando, tal como o outro famoso lisboeta. Criou um só heterónimo, mas «bué» poderoso – Santo António – de Lisboa e de Pádua.

Um caso de sucesso há mais de 800 anos.

Em Pádua não sabemos se nos nossos dias continuam os seus milagres, mas podemos perguntar ao argonauta brasileiro Sílvio Castro que, na Universidade patavina, ensina Literatura Portuguesa e Brasileira. Sardinhas a dois euros cada uma? Bem precisávamos de um milagre que nos livrasse desta praga que nos atacou. Mas como pedir milagres se não somos devotos? Como dizia o Villaret, de votos é que eles precisam.

Parabéns, Fernando.

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