O ano escolar começou com as trapalhadas do costume, costume esse que o Senhor Ministro da Educação tanto criticou…
Para o ano, o ano escolar começará….com as trapalhadas do costume e mais algumas que alguém se lembre de fazer. Tem sido assim desde que sou professora.
Turmas com 26 alunos, aos professores que pediram a rescisão de contrato são-lhes atribuídas turmas, os professores da mobilidade interna tiveram que se apresentar na escola do ano passado… e a lista de situações evitáveis ainda vai a meio
Nos braços dos professores vão, de sala em sala, imensos dossiês, imensa legislação, imensa preocupação e apreensão de como irá decorrer o ano lectivo, vai, também já, o sentimento de inutilidade de tantas e tão prolongadas reuniões, vai a preocupação com os alunos que precisam de apoio, mas os professores de apoio ainda não apareceram. Irão aparecer?
As escolas estão abertas com o número mínimo, e às vezes abaixo do mínimo, de assistentes operacionais ( já é tempo de lhes mudar esta designação).
Se não fosse a boa vontade de todos quantos trabalham em muitas escolas, hoje ainda estariam fechadas por falta de recursos humanos.
Recursos humanos é algo que o Ministério ignora, pois a folha de Exel não trabalha com pessoas, mas com números — divide-se o número de alunos por…..e está feita a fórmula perfeita para a Escola funcionar para o ranking, para o exame nacional, para o pensamento único, para a submissão, para a falta de criatividade, para a competitividade.
Milhares de professores ficaram sem colocação, ou seja, sem emprego como muitos outros trabalhadores.
A escola trabalha com alunos e professores, se há professores qual a necessidade de ter um excesso de alunos em salas exíguas? Se há assistentes operacionais, que não viram o seu contracto renovado, então porque ficam os pátios sem a vigilância necessária para um clima de tranquilidade e de prevenção da tão badalada violência na escola. Os casos de violência na escola, que saltam para a comunicação social, são excepções no mundo das escolas, assim como as outras violências na rua…, à saída dos bares, nos espectáculos. A violência está nos écrans da Televisão, a toda a hora, está no comportamento dos adultos…(Esta questão merecia outro texto)
A Escola não é propriedade de ninguém, tem os portões abertos para a comunidade.
Os pais têm que confiar nos professores, têm que reconhecer autoridade à Escola e aos professores, devem ser os primeiros a tratar os professores como profissionais importantes na vida dos seus filhos, não devem por em causa a maneira de ensinar à frente dos filhos. Os problemas da escola devem ser resolvidos na escola com as pessoas certas.
Os pais devem mostrar aos filhos a importância da Escola e o que significa não obedecer às regras.
Todos os intervenientes na educação das crianças e dos jovens devem conhecer o Projecto Educativo e as Regras da Escola para que possam todos remar para o mesmo lado que muitas vezes não é o lado do Ministério de Educação. Por isso, há que estar organizado e unido à volta da escola que queremos, mesmo que isso implique formas de luta que possam perturbar a vida de todos.
Que o ano lectivo de 2014/2015 seja um ano de aprendizagens significativas para todos.