Decorre o Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais escolhido pelo Parlamento Europeu, considerando que se trata de um problema que poderá ter causas e tentativas de intervenção comuns a alguns países da Europa. Continuamos a reflectir sobre o assunto.
No que respeita à saúde mental dos adolescentes, um dos assuntos que preocupam os profissionais da saúde, e a sociedade em geral é a anorexia.
A anorexia é um distúrbio alimentar que provoca uma perda de peso maior do que é considerado saudável para a idade e altura. É definida como uma patologia complexa, mas que se caracteriza pela distorção da imagem corporal.
Mesmo quando apresenta um peso muito abaixo do recomendado, continuam a se sentir gordos (as) e a restringir cada vez mais a alimentação. Nas mulheres, é acompanhada por ausência de ciclos menstruais ou amenorréia (mais de três ciclos).
A Direcção Geral de Saúde, no seu estudo de 2009, SAÚDE MENTAL INFANTIL E JUVENIL NOS CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS, informa-nos que, pelo menos em Portugal:
1/3 recupera completamente, 1/3 mantem um peso razoável mas continua a manter uma preocupação excessiva com a aparência e dificuldades relacionais, 1/3 nunca consegue atingir um peso satisfatório e mantem graves perturbações da personalidade.
Daniel Sampaio (1998, Vivemos Livres numa Prisão. Lisboa. Caminho), afirma: “A anorexia nervosa não é uma doença de dietas, nem é provocada só por falta de alimentação. Muitos dos sintomas que caracterizam a anorexia são causados pelo efeito de privação de alimentos, ou seja, a recusa alimentar leva a um enfraquecimento progressivo visível em várias partes do corpo “ .
Em que tipo de extrato social se verifica mais esta perturbação? Ela parece ser mais vezes diagnosticada nas sociedades industrializadas, principalmente quando a magreza está associada ao ideal de beleza. Os factores culturais poderão, então, influenciar bastante este tipo de perturbação (DSM-IV, 1994).
Também a American Psychiatric Association (APA) (1996) reconhece que ocorre predominantemente na classe socioeconómica média/alta, das sociedades industrializadas, onde há abundância de alimentos e, especialmente, onde nas raparigas a magreza se associa à beleza (APA, 1996).
O vídeo que se segue mostra como a comunicação social afecta as mulheres.