O Serviço Nacional de Saúde nasceu há 35 anos, no dia 15 de Setembro, altura em que foi publicada a lei 56/69 que lhe deu forma.
Uma das maiores e mais importantes conquistas do 25 de Abril, pedra fundamental do direito à saúde, foi sempre um osso duro de roer para a direita política que sempre lutou pela sua destruição e pela entrega deste prometedor negócio aos interesses privados.
A Constituição da República Portuguesa consagrou-o como Serviço Nacional de Saúde e como uma responsabilidade prioritária do Estado Democrático na defesa da saúde pública.
Ao longo das últimas décadas, a saúde e a qualidade de vida dos portugueses daí decorrente foi exemplo para o mundo, ao ponto de haver países a tentar adaptá-lo às suas realidades.
Mas o assalto e a voracidade dos interesses económicos instalados, dos agentes capitalistas da esfera privada onde pontificam os grupos financeiros ligados à direita política não se fez esperar. O ovo da serpente havia iniciado a incubação logo que o SNS nasceu.
A direita, inimiga figadal da Constituição e do espírito essencial do Estado democrático, sempre viu no SNS e em muitas outras conquistas, uma ameaça ao seus desígnios ditatoriais de exploração do Homem.
O que hoje se passa, desde que a serpente saiu do ovo através da lei de bases da saúde em 1990 é uma vergonha e um atentado aos direitos do povo e uma afronta aos conceitos humanitários inerentes a uma sociedade democrática.
Há mais de 60 unidades de saúde entre as quais grandes hospitais, que controlam 83% do chamado mercado da saúde, gerando qualquer coisa como 1500 milhões de euros/ano, a maior parte paga pelo Estado, melhor dizendo por todos nós. Em vez de ser o Estado a sustentar, com os nossos impostos, um SNS, com prestígio social e resultados reconhecidos no mundo inteiro, é o mesmo Estado a encher os bolsos dos grupos financeiros com centenas de milhões de euros para explorarem a doença como negócio gerador de grandes lucros, o que nada tem a ver com a humanitária e democrática procura de uma sociedade saudável.
A minha reflexão é sempre a mesma. Como é possível que o povo seja tão cego que não veja quem são os seus inimigos? Mesmo quando lhe esticam a pele e lhe sugam o sangue, mesmo quando roubam o que lhe pertence e assaltam escandalosamente o país, o povo não acorda. Como é possível que o povo, mesmo quando a direita lhes come agressivamente as papas na cabeça, lhe forneça a colher, ou seja o voto?.