CARTA DE LISBOA – Laura, traz o memofante – por Pedro Godinho

lisboa

Um primeiro-ministro não é uma pessoa qualquer.

As suas obrigações são sempre superiores às do cidadão comum.

Quem quer ter esse poder não pode querer apenas o panache e as mordomias, tem de aguentar os incómodos que o mesmo, também, pode trazer. Quem não quer essa carga não veste a pele de PM.

Uma das razões porque um grande número de cidadãos tem uma opinião tão negativa da “classe política” é porque ela é merecida. O “arco da governação” é a captura da democracia em prol do controlo privado do bem público.

A nova nomenclatura fez da vida político-partidária o seu único modo de vida, nunca trabalhou só aprendeu os truques da intriga e da golpada, com o único intuito de chegar ao poder e usar os seus benefícios.

Não tivessem monopolizado o processo de acesso ao poder e nunca seriam ninguém. A sua única competência é a dos mercenários ou criminosos – a sua força é a ausência de moral e pudor – fora isso são a mediocridade em pessoa.

Não vivem no mesmo modo que as outras pessoas, atribuem-se privilégios, deitam a mão a tudo o que podem, e julgam que as leis são para os outros e não se lhes aplicam, até porque as podem fazer e desfazer.

As jotas são a escola de quadros de todos esses vícios, onde aprendem que para chegar ao pote vale tudo e que os seus fins justificam todos os meios. Tudo “bons rapazes”. Por razões de higiene política os partidos deviam extingui-las em vez de lhes pagar os servicinhos (mas como poderiam eles passar sem o seu exército de miúdos ao dispor para o que for preciso).

Mesmo apanhados na mentira continuam a mentir.

É este o percurso para chegar a primeiro.

Assim, quem se espanta com o teatro patético: não me lembro, foi há tanto tempo, não tenho presentes todas as responsabilidades que desempenhei há 15 anos, é-me difícil estar a detalhar circunstâncias …

No seu íntimo, alguém ainda tem dúvidas que ele juntou ao salário de deputado os cinco mil por mês? E que se “esqueceu” de os declarar ao parlamento e ao fisco? E que a Tecnoforma e a sua criação, o Conselho Português para a Cooperação, eram instrumentos para aceder a fundos públicos e comunitários, a distribuir entre os eleitos? E que isto é a ponta do iceberg e há mais que um dia pode emergir.

Ele sabe que nós sabemos que ele sabe que nós sabemos.

Um crime pode prescrever, a responsabilidade dum primeiro perante os seus concidadãos é permanente e contínua.

A “exclusividade” de Passos faz parte do mesmo dicionário que o “irrevogável” de Portas.

1 Comment

Leave a Reply