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DIA 17, ÀS 18H 30, APRESENTAÇÃO DO LIVRO “FUNCIONÁRIOS DA VERDADE, PROFISSIONALISMO E RESPONSABILIDADE SOCIAL DOS JORNALISTAS DO SERVIÇO PÚBLICO DA TELEVISÃO, DE DIANA ANDRINGA por Clara Castilho
Diana Andringa é uma das jornalistas que mais marcou ultimamente o jornalismo, pelo seu sentido de responsabilidade e profissionalismo. Com trabalhos exemplares, soube manter o rigor jornalístico, sem se inibir de tomar as suas posições pessoais, no que respeita ao evoluir social e político de Portugal.
Nasceu em Angola, vindo para Portugal em 1958. Em 1964 ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa, que abandonou para se dedicar ao jornalismo. Em 1968, frequentou o Primeiro Curso de Jornalismo, criado pelo Sindicato dos Jornalistas, e entrou para a «Vida Mundial», de onde saiu no âmbito de uma demissão colectiva. Desempregada, foi «copy-writer» de publicidade, trabalho que a detenção pela PIDE, em Janeiro de 1970, interrompeu. Condenada a 20 meses de prisão por apoio à causa da independência de Angola, voltou ao jornalismo. De 1978 a 2001, foi jornalista na RTP. Foi também cronista no «Diário de Notícias», na RDP e no «Público» e fugaz directora- adjunta do «Diário de Lisboa». Actualmente documentarista independente — «Timor-Leste, o sonho do crocodilo»; «Guiné-Bissau: as duas faces da guerra»; «Dundo, memória colonial»; «Tarrafal: memórias do campo da morte lenta» — regressou à universidade, doutorando- se em Sociologia da Comunicação pelo ISCTE em 2013. É investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
O livro resultou da sua tese de doutoramento, “Funcionários da Verdade, Profissionalismo e Responsabilidade Social dos Jornalistas do Serviço Público de Televisão” (Tinta da China, 2014), conta com prefácio de João Teixeira Lopes e será apresentado por José Pacheco Pereira.
O lançamento será no Carpe Diem, na R. do Século, local onde Diana teve o seu primeiro emprego como jornalista, na Vida Mundial.
E de que trata? É-nos assim apresentado: “Indispensável ao bom funcionamento das sociedades democráticas, o jornalismo televisivo é a principal fonte de informação dos portugueses. Enquanto serviço público de televisão, incumbe à RTP proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada, aberta à expressão e ao confronto das diversas correntes de opinião. Deve fazê-lo de uma forma imparcial e independente perante poderes públicos e interesses privados. Mas terão os seus jornalistas condições para corresponder a esta exigência e à responsabilidade que ela implica?
Para responder a esta questão, Diana Andringa – ela própria uma antiga jornalista na RTP – desenvolveu um trabalho de campo sobre o modo como os jornalistas da RTP vivem a sua responsabilidade social. E porque o exercício da responsabilidade pressupõe a existência de liberdade, observou igualmente os constrangimentos que pesam sobre a actividade desses jornalistas, procurando identificar as consequências da passagem de uma situação de monopólio a uma situação de concorrência.
Recorrendo, para além da observação participante, a entrevistas, inquéritos por questionário e análise de documentos, Diana Andringa analisou também a forma como a Informação da RTP1 reagiu em três situações: a ocupação do piso térreo da sua sede por Manuel Subtil, o pseudo-arrastão de Carcavelos e o referendo sobre a interrupção voluntária de gravidez.