EDITORIAL: Também na língua portuguesa – o povo é quem mais ordena.

logo editorialDedicamos hoje uma boa parte da nossa edição à vida e à obra de José Pedro Machado, filólogo, arabista, historiador da Língua Portuguesa, cujo centenário do nascimento hoje se celebra. As obras de José Leite de Vasconcelos, Lindley Cintra, José Pedro Machado, são muralhas, baluartes, de defesa do nosso idioma. Numa entrevista dada ao jornal Público em 1994, referindo-se â Língua Portuguesa, o dicionarista que hoje homenageamos, afirmou não serem os filólogos que mandam, mas sim o povo.

O povo português não é o dono de uma língua que se espalhou pelo planeta, ou melhor, que os marinheiros portugueses levaram a todo o planeta. No caudaloso rio em que a nossa língua se transformou, não devemos esquecer, a montante, as terras galegas onde nasceu e a jusante Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor, e o grande Brasil, onde se situa a maior parte da massa lusófona.  Até chegar ao oceano de 200 milhões de luso-falantes, o idioma é uma matéria viva, sujeita a mutações, a evoluções, a transformações.

Temos o vício de apoucar o que de positivo fizemos. Sem Portugal, a língua portuguesa seria hoje, na melhor das hipóteses, motivo de estudo, objecto de teses, tema de arqueologia linguística – como aconteceu, por exemplo, ao leonês. Escritores como Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, Pessoa, deram-lhe consistência cultural. Homens como José Pedro Machado, foram-no fixando e erguendo muros protectores. Prestamos uma modesta homenagem a José Pedro Machado que tanto contribuiu com as suas obras para defender a Língua Portuguesa.

 

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