O atentado contra o Charlie Hebdo não causou tantas vítimas como por exemplo o ataque do fascista Anders Breivik a um campo da juventude social-democrata norueguesa, em 2011, que causou a morte de 77 pessoas. E muito menos do que a actuação do Boko Haram, organização muçulmana que parece querer implantar a sharia no norte da Nigéria (as últimas notícias falam em que pretende estender a sua influência a todo o país). O choque causado pelo atentado ao Charlie Hebdo contudo foi muito maior.
As explicações, as ilações a tirar, já se sabe, são numerosas, diversas e mesmo contraditórias. Mas devem ser apresentadas, até porque podem ajudar muita gente a reflectir sobre o que vai pelo mundo. O que terá realmente motivado os mandantes do atentado? Quem é a Al-Qaeda do Iémen? São perguntas de difícil resposta, e que estarão na origem de muitas teorias da conspiração.
Uma afirmação parece ser importante: não se pode separar o que se passa na Europa do que se passa no resto do mundo. As interdependências são mútuas. E o respeito pelos valores tem de ser global (usamos a palavra deliberadamente). A interiorização desta noção ajudará mesmo a compreender muita coisa. Podemos dar um exemplo, aliás referido muitas vezes em A Viagem dos Argonautas, por diversas pessoas. A expulsão dos palestinianos da sua terra, que aliás prossegue sem que as maiores potências do planeta mostrem uma vontade clara de a ela se opor, tem sido levada a cabo de maneira impiedosa, e, para cúmulo, mascarada de defesa, apesar de se tratar claramente de uma acção de genocídio. E pudemos ver Netanyahu em Paris, a marcar presença e a tirar dividendos políticos.
Entretanto quem não esteve em Paris a participar na manifestação foi a administração norte-americana, pelo menos ao mais alto nível. Parece não haver uma explicação clara para esta ausência. Será porque não gostam do Charlie Hebdo? Sobre este assunto propomos que leiam o artigo acessível pelo link abaixo.
Em Berlim houve uma manifestação promovida por organizações muçulmanas, com a presença de representantes de outras religiões, do presidente da república Joachim Gauck e de Angela Merkel. Foi reafirmada a importância da presença dos muçulmanos na Alemanha, que reforça o país e não o enfraquece. Entretanto, será de recordar que, a propósito de uma eventual entrada da Turquia na União Europeia, há anos atrás, mas não assim tantos, a chanceler referiu a matriz cristã da Europa, para rejeitar essa hipótese. Não será que esta “referência” contribuiu fortemente para aproximar a Turquia das correntes mais radicais do Islão?
http://www.publico.pt/mundo/noticia/mais-de-10-mil-em-berlim-contra-islamistas-e-islamofobos-1682131

