O nosso ensino público tem sido abalado por várias crises. Duas delas, que continuam a vir à superfície com regularidade, são perfeitamente escusadas. Uma é a que se dá quando são publicados os rankings das escolas, em que sistematicamente as escolas públicas ficam atrás dos colégios privados, e a outra resulta do número considerável de professores que é chumbado em provas de avaliação das respectivas capacidades e competências.
Claro que são duas crises que nunca deveriam ter ocorrido. Vamos tentar falar sobre elas, aceitando à partida de que não existe nenhuma intenção oculta de prejudicar o ensino público. A priori vamos assim aceitar que as numerosas opiniões que têm sido emitidas nesse sentido, são meras teorias da conspiração.
A primeira crise, que conheceu agora um episódio curioso (ver primeiro link em baixo), com a revelação de suspeitas de haver colégios particulares que inflacionam deliberadamente as notas, teria sido perfeitamente evitada, se os mentores dos rankings tivessem sido forçados a explicar duas coisas, a primeira, de qual é realmente a utilidade prática dos rankings, e a segunda, porque é que o único item que é levado em conta na sua elaboração é o do nível das notas dadas em cada estabelecimento.
Quanto à segunda crise, ela só se verifica porque os responsáveis pelo ensino público admitiram nas escolas muitos professores pouco competentes. Qual é o sentido de admitir um professor numa escola, para tempos depois ir descobrir que ele não está apto para ensinar? As avaliações têm de ser feitas antes de admitir o candidato a professor entrar em funções pela primeira vez e não depois, quando ele já está a ensinar há algum tempo, e portanto a fazer com que os alunos sofram os efeitos da sua falta de competência.
Depois do que ficou dito, não será errado recordar que, quanto à primeira “crise”, há muito que se sabe que sucede alunos das escolas públicas transitarem para colégios privados para aumentarem as notas, e assim assegurarem a passagem no ano, uma melhor nota para admissão numa universidade, etc. Claro que só podem fazer isso aqueles cujos pais têm meios para suportar os custos resultantes. Quanto à segunda “crise”, parece ser óbvia a situação.
Será que existe mesmo a conspiração?
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4362503
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4366563&page=-1
http://www.publico.pt/ranking-das-escolas
http://expresso.sapo.pt/os-mal-amados-rankings-das-escolas=f840345

