O Ministério de Educação tem tido uma atenção especial pelo sistema de ensino da Finlândia e da Alemanha, no entanto, ainda não se pronunciou sobre a supressão da caligrafia, na aprendizagem da escrita na Escola.
Segundo especialistas finlandeses e alemães já ninguém escreve com caneta ou com lápis, e se o fazem é com letra de imprensa maiúscula. As letras maiúsculas apareceram primeiro do que as minúsculas, por serem mais fáceis de desenhar.
É verdade, mas também é verdade que muita gente gosta e escreve com a “sua própria caligrafia” com caneta ou com lápis, e até com pincel como os japoneses que dominam os computadores, como ninguém, que continuam a escrever também com o pincel.
A caligrafia é a arte da bela escrita. A história da caligrafia é a evolução da estética na escrita, enquadrada nas competências técnicas e velocidade de transmissão atendendo também às limitações materiais das diferentes pessoas, épocas e lugares.
A caligrafia tem origem nos desenhos rupestres, uma escrita que era a representação pictórica de eventos significativos na vida do Homem.
Do papiro ao computador, sempre se optou pelo que podia simplificar a arte de bem escrever, ou seja, desde a pedra até ao teclado muitas teorias deram voz à receptividade enquanto outros não aderiram, porque sempre foi assim…
Assim será, também, com esta iniciativa da Finlândia.
A escrita em cursivo é, também, fundamental para desenvolver a coordenação motora fina, ou seja, a capacidade que temos para executar movimentos finos com controlo e destreza (por exemplo, usar uma tesoura, um lápis, cortar uma fatia de bolo).
Sabemos que a escrita cursiva é fundamental para desenvolver a coordenação motora fina, mas existe uma série de actividades muito mais divertidas (?) que estimulam a coordenação: brincar com barro, cortar e recortar papel, desenhar, colorir…
O desenvolvimento da coordenação motora fina não está relacionado apenas com a escrita cursiva, o uso das mãos em movimentos subtis relacionados com movimentos, como sejam puxar com um pauzinho o brinquedo que a criança quer, usar correctamente os talheres… fazem parte, também, dessa coordenação.
O cérebro adapta-se às necessidades do corpo. E o corpo adapta-se, assim, às novas condições impostas pelo desenvolvimento social.
As fontes usadas pelos computadores basearam-se nas diferentes caligrafias, ou seja, se assim não fosse como seria?
Quando se fala em Educação Formal fala-se de escrita e a escrita é sinónimo de caligrafia, que está ao serviço da aprendizagem e da comunicação.
Em 2011 alguns jornais anunciavam o fim da escrita cursiva na maioria das escolas dos EUA. Em 2012 a neurociência debruçou-se sobre o papel da escrita no processo de aprendizagem.
Foi realizada uma pesquisa em que crianças escreviam à mão e depois era-lhes feita uma ressonância magnética. Estas crianças revelaram que a actividade neural no cérebro era mais avançada do que crianças que faziam o mesmo, mas no computador.
Apesar de grande debate, Harman testemunhou a favor da inclusão da escrita cursiva nos currículos de todas as escolas públicas.
“A caligrafia envolve circuitos cerebrais diferentes do que a digitalização. A pressão da caneta ou do lápis envia uma mensagem para o cérebro. E o processo repetitivo da caligrafia “integra vias motoras no cérebro“, disse Karin Harman. (especialista em neurociência).

O Facilitismo não leva ninguem a Bom Porto ,e as Modernidades são como o Sal ,qb .