A Somália tem aparecido nos grandes títulos regularmente, sobretudo devido à violência que dilacera o país constantemente. Com uma história acidentada, tendo chegado a ser uma colónia italiana, é hoje um dos países mais pobres do mundo, e os seus habitantes são forçados a viver em condições caóticas, que conduzem à emigração, melhor dito, à fuga, à prática de actos de violência, como foi o caso dos pescadores que deixaram de ter peixe, esgotado pela pesca de arrasto, e passaram a entregar-se à pirataria, e à propagação do fanatismo religioso. A Somália é hoje um dos campos de acção da Al-Shabaab, uma milícia que professa o islamismo. Um dos poucos recursos que resta aos seus habitantes são as remessas dos emigrantes. Entretanto, nos Estados Unidos, o organismo que controla as transferências de dinheiro (será conhecido pela sigla OCC) ordenou que fossem suspensas as transferências para a Somália, devido ao risco de o dinheiro ir cair nas mãos da Al-Shabaab.
George Monbiot descreve-nos esta situação, hoje, na sua coluna em The Guardian. Podem ler o texto no link abaixo. Informa-nos que as remessas dos somalis que emigraram constituem à volta de metade dos recursos que restam aos que ficaram no país. E que o sistema de transferências de dinheiro funciona ali razoável e surpreendentemente bem. Compara esta situação com a do HSBC, acusado de ser responsável por tantas fugas ao fisco e outras violações da lei. Nós, em adenda, relembramos a importância que as transferências dos emigrantes têm tido (ainda têm) para Portugal. Que aconteceria ao nosso país se fosse alvo de uma medida destas? E relembramos também os refugiados que, através do Mediterrâneo, e por outras vias, regularmente pretendem entrar na Europa, em condições tão dramáticas. Alguns vêm com certeza da Somália.