Faz hoje cinquenta anos que Humberto Delgado e a sua secretária, Arajaryr Campos, foram assassinados em Espanha, em Los Almerines, perto de Olivença. Está estabelecido que o crime foi perpetrado por uma brigada da PIDE, obviamente enviada pela ditadura vigente em Portugal na altura. Com a morte de Delgado quis-se claramente cortar a cabeça à oposição e intimidar os seus apoiantes.
Um grupo de deputados entregou hoje ao governo um apelo para que ao aeroporto da Portela seja atribuído o nome de Humberto Delgado (ver terceiro link abaixo). A Câmara de Lisboa também fez uma proposta nesse sentido. Será sem dúvida importante que assim seja feito. Contudo, muito mais se deveria fazer para recordar a sua figura, a sua vida, e, sobretudo o que era o nosso país no seu tempo. Sobre as eleições de 1958, em que foi derrotado por Américo Tomás, em condições fraudulentas, já muito tem sido dito, mas não será descabido, pelo contrário, em tempos em que se fala tanto de unidade, procurar compreender melhor o enorme movimento de solidariedade que levou à sua candidatura. E que a sua vitória teria realmente significado um caminho diferente para o país. Á chegada da democracia dezasseis anos mais cedo poderia ter evitado dramas e sofrimentos aos portugueses e aos povos colonizados. Com certeza que Portugal teria de continuar a enfrentar grandes problemas. Mas fá-lo-ia com a cabeça mais erguida, e deixaria de viver num mundo fantasiado, das ilusões que nos impunha a ditadura.
Propomos que acedam aos links seguintes:
http://observador.pt/explicadores/humberto-delgado-quem-foi-e-como-morreu-o-general-sem-medo/
http://www.vidaslusofonas.pt/humberto_delgado.htm
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4398784

