Este artigo, publicado no Jornal da Marinha, é por nós editado com expressa autorização do autor
Como aqui escrevi antes, o ano de 2015 tem todas as condições para ser um ano de mudança no panorama político português. Desde logo porque a maioria dos portugueses está incompatibilizada com o actual sistema político, é muito critica dos partidos no poder, está assustada com a degradação económica e financeira do País e, porventura, revoltada com a sucessão de escândalos, cuja causa mais visível é a promiscuidade entre figurões políticos e negócios escuros. Digamos, pelo mínimo, que os casos BPN, BPP, BES/GES e PT, mas também a prisão de um primeiro ministro e de altos responsáveis da Administração, não ajudaram à simpatia dos portugueses pelas maiorias que nos têm governado.
Como resultado, temos tido uma abstenção enorme nos diversos actos eleitorais e surgem novos partidos críticos do sistema, que podem vir a alterar os dados das futuras eleições, em particular das legislativas que se realizam lá para Setembro ou Outubro. Acontece ainda que durante os últimos quatro anos surgiram em Portugal uma miríade de associações e de novas siglas de cidadãos, que se juntam para defender ideias e interesses particulares, com a característica quase geral de não se reverem na actual política dos partidos e defenderem mais democracia e uma maior participação cívica e democrática dos portugueses nas decisões políticas. Neste contexto, a alteração das leis eleitorais e o financiamento dos partidos entrou na ordem do dia.
Finalmente, ainda que os putativos candidatos à eleição Presidencial, no início do próximo ano, sejam todos oriundosdo sistema partidário no poder, é expectável que surjam outros candidatos de fora do sistema, ou críticos do sistema, que irão baralhar a previsibilidade do resultado final. Sendo naturalmente desejável que o novo Presidente da República venha contribuir para a realização das mudanças necessárias, abrindo um novo capítulo na democracia portuguesa, no sentido de assumir com clareza um papel mais activo e consequente na mudança das práticas políticas que nos conduziram à actual crise do regime e à demissão política, económica e social que estamos a viver.
Como sabemos, pela nossa própria experiência aqui na Marinha Grande, os cidadãos que estão a chegar à actividade cívica e política vindos de fora do sistema partidário,de entre eles muitos jovens, são cidadãos que não passaram pelo modelo dominante das juventudes partidárias e possuem, em geral, uma formação e experiências profissionais de maior qualidade e estão muito melhor preparados para a governação e para assumir as responsabilidades de, no plano nacional e no plano autárquico, criar um novo futuro para Portugal, com mais transparência e maior participação democrática dos cidadãos.
Claro que neste panorama ninguém está contra os partidos políticos, é geral a convicção de que a existência de partidos políticos é uma condição dos regimes democráticos, mas deseja-se e trabalha-se para que os partidos assumam as suas responsabilidades na reforma do sistema político, nomeadamente quanto à forma de eleger os representantes do povo, tornando essa eleição verdadeiramente democrática e a vida política transparente e consequente. Acredito que estes portugueses querem ser parte da solução dos graves problemas que foram criados no passado, como a estagnação económica, a corrupção e o empobrecimento das famílias portuguesas e não querem ser parte do problema. Daí a mudança que se espera nos traga o ano de 2015 e o início do ano de 2016, mudanças que dependem, essencialmente, de cada um de nós, de que cada um de nós possa fazer acontecer.
