Cá vamos andando neste Portugal. “País de florestas e de rios. De montanhas e de praias. De adubes fraitas e tambores. País de províncias distritos e concelhos. De freguesia vilas e aldeias”, conforme extrato de uma letra de António Pinho da Banda do Casaco.
Cá vamos andando sem que se veja maneira da situação se alterar. As eleições estão próximas, mas não se veem aparecer ideias novas, nem nada que galvanize este País.
No principal partido da oposição houve um golpe palaciano e o vencedor deve ter pensado que as pessoas iam a correr dar-lhe apoio, não porque apresentasse ideias ou projetos melhores, mas porque segundo ele o seu estilo era mais mobilizador.
Durante algum tempo recatou-se. Muitos pensavam que o que ele tinha que fazer, era “fazer-se de morto”, porque o poder mais cedo ou mais tarde ia cair-lhe em cima e o distanciamento era a melhor maneira de conseguir levar a água ao moinho. Porém porque as sondagens não lhe indiciavam nada de bom, começou a falar.
Num romance, depois de se falar de um acontecimento memorável, o escritor pode descurá-lo por algum tempo e deixar o leitor suspenso. Isso até pode ser revelador da habilidade de quem o escreve e da sua capacidade de encadear os assuntos e prender o leitor. Porém, não pode ser abandonado durante muito tempo, para que o leitor não perca o fio à meada e quando o que escreve o retomar tem que o fazer com muita qualidade e habilidade.
Na politica, também é importante ser capaz de ter em conta os momentos em que se deve ou não falar e ser capaz de ter a sensibilidade para que não o leitor mas o eleitor não se desiluda.
Mas se o politico por uma questão de estratégia se fizer de morto ou se se mantiver muito tempo calado, mesmo com a desculpa de ter estado a estudar os assuntos, quando falar não pode meter os pés pelas mãos. Caso contrário as qualidades que apregoava, vão perdendo o seu encanto, à medida que são postas a nu.
Quanto mais o candidato da oposição se for mostrando mais a sua credibilidade vai diminuindo, a irresponsabilidade dos que governam vai aumentando e infelizmente o país vai-se dando conta de que como dizia o Torga, “é preciso gritar e não há quem grite”!
Será que “por aqui andam bruxinhas em volta, esvoaçando, cavalgando em vassourinhas sem juízo, como diz a letra do António Pinho?