É
já na próxima quinta-feira, dia 28 de Maio que, no Parque Eduardo VII, abre ao público a 85ª edição da Feira do Livro de Lisboa. Encerrará no dia 14 de Junho. Com todos os lamentos e apesar de todas as justas queixas de editores, livreiros, autores, a Feira do Livro continua a ser a maior montra da edição em Portugal – com aproximadamente cem mil títulos distribuídos por mais de duzentos de pavilhões que albergam centenas de editores, alfarrabistas e livreiros. O que falta? Uma política do livro, bem pensada, que contemple os interesses em jogo e defenda as profissões que giram em torno de uma indústria essencial para o avanço cultural do País.
É um tema recorrente, o da endémica crise da indústria livreira. Não seria de esperar que um governo como este que agora temos, surdo para apelos mais ingentes e insensível perante carências sociais mais primárias, solucionasse um problema que alguns dos governos anteriores, compostos por pessoas que se supõe ser mais abertos às questões da cultura, não foram capazes de resolver. Como acção prévia, seria necessário proceder a um levantamento da situação geral da cultura, pois iria permitir actuar em campos como os do Ensino, Comunicação Social e no plano da edição. A criação de apoios institucionais à edição, feita através da aquisição de quantidades que garantissem a cobertura dos custos (incluindo nesses custos o pagamento dos direitos autorais), seria uma das medidas – uma comissão mista ( Ministério da Cultura, representantes dos editores e livreiros – APEL e representantes dos autores – APE e SPA ), estabelecidos os critérios de admissão a concurso, aprovariam planos anuais de apoio a determinadas edições. As quantidades adquiridas seriam distribuídas pela rede nacional de bibliotecas. Naturalmente que esta medida, por si só, estaria longe de solucionar um problema que radica, sobretudo, em hábitos culturais que secundarizam o papel do livro e em carências sociais que reforçam esse atávico desprezo pela cultura.
Não podemos também ignorar que uma parte do problema da edição é criado pelos próprios editores. Não há país, por mais evoluídos culturalmente que sejam os seus cidadãos, que absorva uma produção excessiva. Os pequenos editores teriam tudo a ganhar se se instalassem em nichos de mercado específicos – especializando-se em áreas literárias, profissionais, temáticas. A tentação generalista das pequenas casas de edição, constitui um dos factores que conduz a uma oferta excessiva e perante essa produção descontrolada e abandonada à iniciativa dos editores, não existem medidas possíveis.
Nas grandes editoras verifica-se uma orientação que procura cobrir brechas infraestruturais, criando grandes colecções que fidelizem clientes durante períodos extensos – uma colecção de 24 volumes, editada ao ritmo de um volume/mês, «acorrenta» o cliente durante dois anos. Há quatro décadas atrás, com o boom das obras em fascículos, esta estratégia funcionava. Hoje, parece estar inadequada relativamente a um mercado cultural onde predominam artefactos tecnológicos de resposta imediata. Obras de edição segmentada, colocam o livro em desvantagem. Há dias, um bibliófilo dizia-nos que o mercado da edição está em plena disfunção – edita para quem não gosta de livros; quem gosta, só nos alfarrabistas encontra o que quer. Enfim, o livro e o seu universo de problemas.
Vamos lá então visitar a Feira.

Caros Amigos, Como não nos devemos sentir numa Feira do Livro como “um esquimó em Paris”, e muito menos como “Indios Ianomani”, que achavam que a escrita era “coisa de branco” — coitados, fracos de cabeça, tinham de escrever e assentar tudo para não se esquecerem de nada — informo-vos que nos dias 7 e 11 de Junho, a partir das 15H00, seguindo o conselho ianomani, vou autografar o meu livro: “Os Exilados não esquecem nada mas falam pouco”, editado pela Âncora. Abraço a todos os Argonautas do MPM. Date: Tue, 26 May 2015 11:01:00 +0000 To: mpmarques@hotmail.com
Caros Amigos, Como não nos devemos sentir numa Feira do Livro como “um esquimó em Paris”, e muito menos como “Indios Ianomani”, que achavam que a escrita era “coisa de branco” — coitados, fracos de cabeça, tinham de escrever e assentar tudo para não se esquecerem de nada — informo-vos que nos dias 7 e 11 de Junho, a partir das 15H00, seguindo o conselho ianomani, vou autografar o meu livro: “Os Exilados não esquecem nada mas falam pouco”, editado pela Âncora. Abraço a todos os Argonautas do MPM. Date: Tue, 26 May 2015 11:01:00 +0000 To: mpmarques@hotmail.com Date: Tue, 26 May 2015 11:01:00 +0000 To: mpmarques@hotmail.com