É o maior festival de livros do mundo que reúne por volta de 800 autores de 44 países. Ali se encontrar livros que não estão disponíveis em qualquer livraria.
Muitos autores esperam este festival para lançar seus livros. O programa do festival inclui debates, cursos para aqueles que querem aprender mais sobre a arte de escrever, e eventos especiais para crianças.
A escritora Susana Moreira Marques (Porto, 1976) foi convidada a estar presente na edição deste ano. Ela escreve para jornais e revistas desde 2004 e actualmente colabora com o Público e com o Jornal de Negócios. Entre 2005 e 2010 viveu em Londres, onde foi correspondente do Público e trabalhou na BBC World Service. O seu trabalho recebeu diversos prémios de jornalismo, de entre os quais se destacam, em 2012, o Prémio AMI — Jornalismo Contra a Indiferença e o Prémio Direitos Humanos e Integração, atribuído pela Comissão Nacional da Unesco e o Gabinete para os Meios de Comunicação Social.
O seu livro mais conhecido é “Agora e na Hora da Nossa Morte”, resultado da sua viagem até às aldeias de Trás-os-Montes para encontrar pessoas com pouco tempo de vida, familiares em vigília e o vazio deixado pelos que morrem. Numa paisagem marcada por grandes distâncias, onde Portugal acaba e é esquecido, num tempo de fim e perante a nossa mortalidade, começamos a perceber o que é importante.
EXCERTO
«Quando soube que não sobreviveria à doença e que não poderia continuar a caminhar no vasto campo em frente de sua casa, o caçador que gostava de flores pediu misericórdia, que o matassem depressa, por favor. Morreu numa cama sem dizer últimas palavras de significado e nesse dia nasceu no quintal um cachorro que nunca viria a ser cão de caça; foi então levado para um caixão e velado no centro da sua sala, os pássaros empalhados com as asas abertas olhando-o de cima do armário. Na varanda, com vista para a terra que tinha sido a sua maior alegria e que supunha ir gozar em pleno na velhice, tinha o vaso preferido que deu ainda flor na Primavera após a sua morte.»