A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
Passaram ontem 630 anos sobre a Batalha de Aljubarrota que pôs termo à crise política que se iniciara em 1383. Na sua excelente crónica semanal, Ernesto V. Souza descreve com rigor o quadro em que a nossa crise se insere «Desde 1350 nos territórios da França, na Germânia e na Península, começa da mão de novas dinastias um processo no que os diversos tronos em consolidação irão incorporando, subordinando e dissolvendo em diversa medida territórios, regiões, ducados, condados e até antigos Reinos que apenas um século antes representavam histórias, identidades, poderes, linhagens e economias que definiram por quase mil anos a política Europeia. (…) A descoberta da América, as navegações a Oriente, e a Norte transformarão, não apenas as economias, senão as percepções e sentido de uma Europeidade que emerge diversa e em competência. (…) A Borgonha, Gênova, Aquitânia, Navarra, Normandia, Gascunha, a Provença, Lombardia, Sicília, Catalunha, a Galiza são nomes e culturas, espaços geográficos, económicos e políticos que se apagam entre 1400 e 1500, e que passam a formar parte, especializada, subordinada, ou dependente de conjuntos reunidos politicamente arredor de dinastias, linhagens e monarcas destacados.[…] Uma história nacionalista dificilmente pode enxergar a quantidade de fatores e circunstâncias, que operam ao mesmo tempo em toda a Europa e no Mundo, e como a incorporação da Normandia e a Aquitánia a França, a divisão de Navarra e Aragão entre Castela e França, o declínio da casa da Borgonha na França mas não nos principados Germânicos, a debilidade do império Mediterrâneo Aragonês, terminarão por implicar a emergência e política das casas de Avis e Trastâmara e a modificação do espaço peninsular numa realidade política Atlântica (Portugal) e outra potência Mediterrânica e Continental (Castela). E Ernesto V. Souza conclui: «É fascinante entender que o mapa europeu podia ter sido tão outro com a mudança de uma dinastia por outra em qualquer uma das fases ou quadrinhos do tabuleiro do grande xadrez».
“Não inquinada por visões nacionalistas” ? O Editorialista deve explicar o que pretendeu dizer. Então defender um Estado com uma só Nacionalidade deve ser outra coisa que não nacionalismo? Vergonha é um estado expansionista como as chamadas Espanha, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, Rússia e, até, Bélgica tentarem reivindicar um qualquer nacionalismo quando no seu seio esmagam Nacionalidades dignas da sua Independência Nacional. São estados colonizadores que como escreveu o jurista bretão Yann Fouéré não devem continuar a existir porquanto impedem o regresso à Primeira Europa, época em que Estado e Nação se confundiam. Só Portugal é que – e muito bem – não podia ter colónias? Portugal, como devia, descolonizou e, agora, pela mão da escumalha, na designada “união europeia”, vai sentar-se à mesma mesa que os colonizadores. Descaramento.CLV
Meu caro Leça da Veiga -Neste teu comentário, antolha-se-me uma certa disposição para discordar. Na realidade, o editorial diz o mesmo que afirmas – até mesmo uma visão objectiva deve reconhecer a Portugal o mérito de com sacrifício de vidas e de bens, ter mantido a sua independência. A história é uma ciência e não admite «visões nacionalistas» – pertencentes a outra categoria – a propaganda. Mas a história feita pelos historiadores e não pelos «antónios ferros», baseada em fontes fidedignas, testemunha o esforço ingente do povo português, ao longo de nove séculos, para manter a sua bandeira. Ricardo Salgado, por exemplo, aceitava que Portugal se integrasse no Reyno, pois isso traria benefícios às suas falcatruas. surpreendentemente, Saramago via essa integração como inevitável. Embora nos possamos orgulhar mais dos nossos futebolistas do que dos nossos políticos, a bandeira lá vai mantendo-se e a música do Keil ainda não foi substituída pela marcha de carroussel (Como Malraux definia o hino fascista do Reyno). E em vez de um Filipe IV de Bourbon, ainda temos um Aníbal I de Boliqueime. A independência tem custos e os «cidadões» é que os suportam.