LIVRO & LIVROS – “SER PROFESSOR EM PORTUGAL” DE MARIA HELENA CAVACO por Clara Castilho

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Tese de mestrado feita a partir de testemunhos de professores do ensino secundário, uns que começaram a exercer antes de 25 de Abril de 1974, outros depois, com contextualização das respostas no tempo histórico. A autora, Maria Helena Cavaco tem desenvolvido uma acção muito importante do domínio da inovação educacional e na formação de professores.

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No livro se pode ser a insegurança e a sobrevivência, a relação entre professores (o professor e os outros professores: diferenças e mudanças), a relação entre o percurso profissional do professor e o seu percurso pessoal e familiar (a passagem dos anos e o percurso profissional). É uma abordagem do “professor” enquanto ser complexo, com análise centrada na pessoa, nas interacções, na organização, na sociedade e no mundo.

A tese já tem 21 anos, mas as declarações de professores podiam ser ainda dos dias de hoje, se bem que hoje, alguns factores pudessem surgir ainda mais acentuados. Não é um estudo estatístico, é um estudo de análise de discurso de alguns professores, que poderão, até, não ser representativos. No entanto, pela minha própria experiência de contacto com a realidade actual da vida de muitos professores, retiro aqueles que penso corresponderem a uma ralidade. É, pois, uma escolha pessoal.

“A pessoa é lançada nas aulas sem qualquer tipo de apoio….] logo no meu primeiro dia de aulas tive essa turma, logo no primeiro tempo, e eu entro dentro da sala e entraram-me os miúdos pela porta adentro, todos à chapada uns aos outros, a deitarem as carteiras abaixo, a cuspirem-se uns aos outros. Foi assim completamente… completamente alucinante” (pag. 109)

“As pessoas queixam-se individualmente mas em grupo não querem discutir. Por questões de insegurança têm medo de assumir os problemas que têm. Ninguém assume. Ninguém quer assumir” (pag. 111).

“A mobilidade do corpo docente gera logo a incerteza e a insegurança. Não se pode fazer nenhum trabalho em continuidade e isso acaba por mudar as pessoas…. As pessoas alienam-se”.

“Todos os anos mudamos. Todos os anos se desagregam os grupos de trabalho. Isso é terrível até sob o ponto de vista afectivo. É o quebrar os laços todos. É com os empregados, é com os colegas, é com os alunos, é com os projectos de trabalho, é com os sonhos que as pessoas têm.”. (pag. 12).

 Editor: Teorema

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