A opinião sobre a política e os políticos não é boa em Portugal. A grande maioria dos portugueses considera que os políticos procuram, regra geral, servir interesses que não coincidem com os do público em geral, infringindo as promessas que fazem em campanhas eleitorais, tomadas de posse, entrevistas, discursos, etc. E infelizmente, a maior parte das vezes, temos de reconhecer que é verdade. A justiça, a quem, no sistema vigente, caberia travar estes abusos, tem falhado em cumprir esse papel, por razões várias. Surgiu entretanto o caso José Sócrates. Sobre este há muitas opiniões, desde os que não hesitam em classificá-lo como um preso político, considerando deste modo a sua prisão como injusta, até os que têm opiniões opostas.
Entretanto, aparece o eurodeputado Paulo Rangel, na Universidade de Verão do PSD, com a opinião de que, se o PS fosse governo, José Sócrates e Ricardo Salgado nunca teriam sido investigados (aceder ao link abaixo). Dá a entender que o PSD tem uma atitude completamente diferente do seu rival político sobre esta matéria. Obviamente que estamos perante o que podemos classificar, eufemisticamente, de campanha eleitoral. Contudo, para além de rejeição das declarações de Paulo Rangel, das quais o menos que se pode dizer é que são totalmente descabidas e inaceitáveis, o assunto merece uma reflexão alargada.
Em Portugal a justiça tem tido tradicionalmente uma atitude para os ricos e poderosos, diferente da que tem para as classes mais modestas. É importante reconhecer que se tem esforçado, sobretudo a partir do 25 de Abril, para tomar outra atitude. Mas também é importante reconhecer as dificuldades com que se debate. O caso do programa informático Citius tem sido uma delas, muito grave. Muitas outras haverá, em termos de instalações, de pessoal, de insuficiente preparação e aptidão de muitos agentes. A intervenção de Paulo Rangel foi um perfeito desatino, não é excessivo referi-lo, até por ter ocorrido durante o que (supostamente…) seria como que uma acção de formação. Claro que estamos perante mais um acto eleitoralista, que vai acirrar ainda mais os ânimos, e não contribuiu em nada para o esclarecimento eleitoral, e ainda menos para que o julgamento de José Sócrates decorra no clima mais adequado.
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