EDITORIAL – ANTONIO GRAMSCI, UMA FIGURA SINGULAR

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Hoje Antonio Gramsci, figura maior da vida política italiana e mundial, pensador filosófico e político de excepção, faria 125 anos. Morreu  em 1937, em condições penosas, vítima de uma saúde frágil e das pesadas condições que suportou nas prisões de Mussolini. As suas vida e obra parecem ser agora melhor conhecidas (e reconhecidas) do que quando viveu, e nos anos seguintes à sua morte. Cada vez mais parecem valer a pena ser recordadas, numa época dominada pelas trajectórias de vida de figuras fulgurantes, no plano da política e da vida em geral, que sobem a grandes alturas de admiração e influência, mas em breve se apagam, por via dos seus vícios e fraquezas. Olhando à nossa volta, procurando ultrapassar as limitações impostas por uma sociedade tão condicionada por estruturas hierárquicas seculares, que têm resistido tenaz e astuciosamente às lutas em prol de uma implantação e aprofundamento da democracia, compreendemos ou, melhor dito, sentimos a fragilidade dos sistemas que têm sido implantados para orientar as nossas vidas. Muitos sentem-se desesperados perante a constatação de que a maior parte, se não a totalidade, das pessoas em que confiaram para depositarem o seu voto e assim governarem as suas vidas, pura e simplesmente não mereceram (não merecem) essa confiança.

Não vamos aqui entrar em considerações sobre as limitações dos sistemas de democracia representativa, ou da democracia participativa, e dos problemas técnicos e psicológicos (a psicologia é uma ciência, e não se resume em técnicas, não é verdade?). Apenas referir que no dia em que se encerra a campanha para a eleição do presidente da república de Portugal, e em que lá fora, noutros países, e ao nível de organismos internacionais, decorrem campanhas, eleitorais ou de outra natureza, para a escolha de novos dirigentes (ou da continuidade dos mesmos…), com capacidade para influenciarem as nossas vidas, reconhecendo que ninguém está acima da crítica, vale a pena, enquanto não se conseguir construir sistemas de democracia directa, conhecer melhor a vida e obra do italiano (ele nasceu na Sardenha) Antonio Gramsci.

 

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