Em Portugal sempre mandaram os banqueiros. Mesmo numa altura em que diziam que a banca tinha sido nacionalizada, e que o país vivia numa grande desordem. Mesmo numa altura em que havia um senhor que morava ali à Calçada da Estrela, um de que o pessoal não gostava, mas que o deixava fazer tudo o que ele queria. Os banqueiros habituaram-se, acham que assim é que é, e até dizem que os portugueses aguentam, aguentam (qual foi deles o que disse isto?). De vez em quando, vem uma conta calada, que dizem que é para resgatar a loja de um deles, e nós pagamos. Normalmente, a seguir, vem uma Comissão ou um Conselho europeu, ou grupo (ouve-se na altura um nome esquisito, euro qualquer coisa), ou um fundo acabado em i, com um cavalheiro com um nome difícil de pronunciar (às vezes aparece uma senhora com ar de vilã de histórias aos quadradinhos), a dizer que é preciso cortar nos salários e nas pensões, e que é preciso fazer mais reformas (não, não é aumentar as nossas pensões, é o contrário). E, coisa curiosa, parece que se dão muito bem com os donos da banca.
Há tempos que anda por aí uma senhora jeitosa, que alguns dizem ser a mulher mais rica de África, e que também é banqueira. Pelo menos parece que tem muito dinheiro, e as notícias dão a entender que o investe em bancos. Compra as acções na bolsa (julgamos nós, se calhar mal) e ele é o BCP, o BPI a aguentar. Onde foi ela buscar o dinheiro? Pode ser que um dia nos conte. Entretanto, num desses bancos onde empatou o dinheiro dela (?), que tomam conta do nosso dinheiro, mesmo que a gente não queira, mesmo que preferíssemos guardá-lo debaixo do colchão, nesse banco onde empatou o dinheiro, parece que tem um concorrente espanhol (desculpem, catalão), que quer deitar a mão ao banco. Este teria que pagar uma multa formidável a outra entidade, de supervisão, amiga daquelas Comissões ou Conselhos euro de que falávamos acima, que parece que funciona num prédio alto, lá para as Alemanhas, chefiado por um cavalheiro que parece que saiu de um filme do Martin Scorcese, e com um adjunto com pinta de Marceneiro, mas da distrital (sabem, aquelas coisas do futebol). Lá se compuseram. Ou assim parecia, no dia 10 de Abril último (desculpem se a data não está muito exacta). Entretanto, dias depois, a jeitosa (nós somos totalmente a favor da igualdade de género, acreditem. Desculpem é se achamos o Ulrich feio, assim como outros colegas), vem a dizer que, afinal, não há acordo nenhum. Quem se enganou? Ou enganou os outros? Quanto mais vamos ter de pagar?