TERCEIRA CARTA A UMA AMIGA MINHA SOBRE O DINHEIRO QUE DO BANCO LEVANTOU E NO COFRE DO MESMO BANCO DEPOIS GUARDOU, EM NOTAS DE 500 EUROS – ANEXO 3/3 – E SE A VOSSA POUPANÇA FOSSE TRIBUTADA? – por BILL BONNER

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Selecção, tradução e montagem por Júlio Marques Mota

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Sam Leighton-Banker(CC BY-NC 2.0)

Sam Leighton-Banker(CC BY-NC 2.0) 

E se a vossa poupança fosse tributada?

Proibir o pagamento em espécies não impediria o crime, mas obrigar-vos-ia a ter o vosso dinheiro no banco

 

Bill Bonner, https://uk-ads.openx.net/w/1.0/jstaghttps://uk-ads.openx.net/w/1.0/jstaghttp://odb.outbrain.com/utils/get?url=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2F2016%2F03%2F06%2F241724-et-si-on-taxait-votre-epargne&srcUrl=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2Ffeed&settings=true&recs=true&widgetJSId=AR_2&key=NANOWDGT01&idx=0&version=01000510&ref=&apv=false&sig=9xwtxSQ0&format=html&rand=34181&lsd=c5b2dc00-2d19-4b02-afe8-01b079b32f2f&winW=1280&winH=929&adblck=falsehttps://apis.google.com/_/scs/apps-static/_/js/k=oz.gapi.pt_PT.42gPCH_UaFE.O/m=auth/exm=plusone/rt=j/sv=1/d=1/ed=1/am=AQ/rs=AGLTcCPN34gSgxK8S4VreFlVlcs_5eC9qw/cb=gapi.loaded_1https://apis.google.com/_/scs/apps-static/_/js/k=oz.gapi.pt_PT.42gPCH_UaFE.O/m=plusone/rt=j/sv=1/d=1/ed=1/am=AQ/rs=AGLTcCPN34gSgxK8S4VreFlVlcs_5eC9qw/cb=gapi.loaded_0https://apis.google.com/js/plusone.jshttp://platform.twitter.com/widgets.jshttp://aka-cdn.adtech.de/dt/common/DAC.jshttp://ads.rubiconproject.com/header/11740.jshttp://ib.adnxs.com/jpt?callback=pbjs.handleAnCB&callback_uid=316ef64b317a224&psa=0&id=6904158&size=300×250&referrer=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2F2016%2F03%2F06%2F241724-et-si-on-taxait-votre-epargnehttp://ib.adnxs.com/jpt?callback=pbjs.handleAnCB&callback_uid=25283cbd81a55d4&psa=0&id=6904157&size=300×250&referrer=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2F2016%2F03%2F06%2F241724-et-si-on-taxait-votre-epargnehttp://ib.adnxs.com/jpt?callback=pbjs.handleAnCB&callback_uid=1ce5a6cba574b4&psa=0&id=6904156&size=728×90&referrer=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2F2016%2F03%2F06%2F241724-et-si-on-taxait-votre-epargne//themoneytizer.nuggad.net/rc?nuggn=1979607531&nuggsid=871347797&nuggrid=http%3A%2F%2Fwww.contrepoints.org%2F2016%2F03%2F06%2F241724-et-si-on-taxait-votre-epargnehttp://ads.themoneytizer.com/moneybid07/build/dist/prebid.jsEt si on taxait votre épargne ? http://rtax.criteo.com/delivery/rta/rta.js?netId=3415&cookieName=crtg_rta&rnd=23199602375&varName=crtg_content//ww1097.smartadserver.com/config.js?nwid=1097http://ads.themoneytizer.com/nugg2.php?theme=871347797

CONTREPOINTS.ORG, 6 DE MARÇO DE 2016 

Bill Bonner, Intérêts négatifs et société sans cash: l’Italie et la Suède défrichent le terrain

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 La Chronique Agora, 30 de Outubro de 2015

Há realmente “uma Guerra contra o dinheiro à vista ”? Não. Há sim uma guerra contra cada um de nós. Vários países, entre os quais a Dinamarca, a Suécia e a Noruega, já passaram à supressão quase total do dinheiro à vista. Outros, como a França, proibiram as transacções em espécies superiores a certos montantes. Existem mesmo planos ao nível mais elevado do governo da Índia, que é uma das sociedades mais dependentes do dinheiro à vista no mundo, destinados a desencorajar a utilização do dinheiro em espécie.

Paralelamente, economistas e comentadores neoliberais, os economistas do establishment, nomeadamente os economistas de Harvard Larry Summers e Kenneth Rogoff, o economista chefe de Citibank Willem Buiter, Andy Haldane do Banco da Inglaterra e Martin Wolf do Financial Times, todos estes se declaram defensores de uma economia sem dinheiro à vista.

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Ainda muito recentemente Summers afirma que é “tempo de eliminar a nota de 100 $”. De acordo com o New York Times, “suprimir as notas de alto valor nominal poderia ajudar a lutar contra o crime”. Hoje, escavamos um pouco nesta pilha (de lixo) para tentar descobrir o que é que se esconde por baixo dela. Que surpresa! Aí está o Deep State, fedorento, mefítico e terrível.

Algumas questões que valem a pena serem postas

Primeiro, desembaracemo-nos, como o faríamos a limpar uma camada suja difícil de limpar, da ideia que eliminar as notas de grande valor facial permitiria de uma maneira ou outra lutar contra o crime.

Se nos basearmos no dólar, alguém que queira pagar 100.000 $ em espécies hoje precisaria de uma pilha de notas de 100 $ com uma altura de um pouco mais de 10cm.

Agora, imaginemos que a nota de 100 $ deixa de estar disponível. O passador de droga diz ao seu cliente, “eih, não nos vai ser possível fazer negócio. Transportar grandes quantidades de dinheiro à vista, isso irrita-me”?

O subcontratante da defesa que marcou encontro a um membro do Comité governamental sobre os serviços armados no estacionamento subterrâneo do Pentágono diz-lhe: “tenho pena, lamento, não posso dar-vos o dinheiro, não cabia no envelope”?

A prostituta diz ao seu proxeneta: “Não trabalho com notas de 20”?

Não se preocupem com os criminosos. Na Argentina, a espinha dorsal da economia é o bilhete de 100 pesos, que vale cerca de 6 $ apenas. Temos uma propriedade na Argentina. Vimos como se funciona neste país. As pessoas utilizam bilhetes de 100 pesos para tudo, quer se trate de comprar o jornal da manhã ou de vender um apartamento de um milhão de dólares. Transportam-nos em sacos de papel (para não atrair a atenção dos ladrões). Amontoam-nos em cofres fortes. Os montes de notas ultrapassam os seus bolsos e estas notas são postas sobre os balcões dos conversores no mercado negro.

Incómodo? Sim, mas permitem lutar contra o crime? Está-se a rir?

Os vendedores de droga, as prostitutas, os assassinos pagos à peça, os terroristas, os branqueadores de dinheiro: já são prosseguidos como criminosos e ameaçados de multa, prisão ou morte.

O lado pouco prático das notas de pequeno valor facial vai acabar? Esqueçam isto. Passarão a notas ainda mais pequenas, às divisas estrangeiras, ao bitcoin, ao ouro ou a outra coisa qualquer… Bloqueiem a utilização de uma divisa manejável e prática… eles inovarão.

“Uma taxa” sobre a poupança

O que se passa com a ideia segundo a qual a proibição do dinheiro em notas ajudará a economia? Quando o dinheiro à vista, o dinheiro em papel, o dinheiro vivo, for mais difícil de obter, os bancos centrais terão menos dificuldade a impor uma taxa de juro negativa sobre os depósitos bancários de cada um de nós. Não teremos como fugir.

Sem a possibilidade de conservar a vossa poupança sob a forma de moeda física, nenhum de nós terá outras escolhas que não sejam a de guardar o nosso dinheiro em depósito nos nossos bancos … e pagar por não termos gasto o dinheiro em compras seja do que for, pagarmos por tê-lo poupado então, e para apagarmos aí estão as taxas de juro negativas aplicadas pelo banco. Salvo que uma taxa de juro negativa é apenas uma taxa suplementar… que nos é imposta pelos empregados do cartel bancário e que não tem nenhuma necessidade de ser aprovada por um voto ao nível político. Aparentemente não é um imposto.

Com uma taxa negativa de 1%, perdem-se 10 euros sobre cada € 1.000. Isso é equivalente a um imposto sobre as nossas poupanças de 1%.

Mas esperem… Normalmente, o aumento de impostos não incentiva as pessoas a gastar. Pelo contrário, leva-nos a fechar as nossas carteiras, não a abri-las. Quando nos pegam no nosso dinheiro, ficamos com menos (afirma-se aqui o óbvio). Cada um de nós tenta então reduzir as suas despesas. Se tivermos andado a economizar para a reforma, um imposto sobre as nossas economias significa que iremos ter necessidade de poupar mais (e gastar menos) sobre o que ganhámos. Não há até hoje nenhuma prova, nos anais da história, que uma economia tenha sido ajudada por se andar a tirar dinheiro do bolso das pessoas, ao povo. A ideia é tão absurda que só pode vir de um economista, de um quadro da ENA … ou de um canalha. Mas para entendê-lo totalmente… teríamos que recuar centenas de anos .

Uma análise das taxas negativas: dois exemplos

Esta semana o governo italiano vendeu obrigações a dois anos com uma taxa de MENOS 0,023%.

Nós não sabemos o que é aqui  mais ridículo: que os italianos foram capazes de contrair empréstimos a taxas negativas … ou que a imprensa tenha relatado o acontecimento como a coisa mais séria do mundo. Isso faria com que houvesse gargalhadas em série, um enormíssimo desdém e um escárnio puro e duro por essa imprensa.

A taxa de juro negativa implica um mundo estranho, talvez até mesmo um mundo que não poderia na verdade existir. Contrair empréstimos a taxa negativa sugere que se pense que o valor presente do dinheiro é menor do que o seu valor futuro, ou seja, a deflação … e que também se deva assumir que o risco de incumprimento ou de inflação é perto de zero. Isso pode permitir que os italianos possam construir estradas ou pagar pensões com dinheiro que lhes custa menos que nada.

Acrescentemos resultados de leilões de dívida pública italiana de 2016 para percebermos como é, afinal, no mundo do super-Mario Draghi:

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E isto num país onde a evolução da dívida relativamente ao PIB tem sido a seguinte:

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Quanto tempo é que isto vai durar?

Não sabemos nada. Mas, enquanto as taxas permaneçam abaixo de zero (e elas podem cair ainda mais!), o dinheiro é gratuito.

Imaginemos que compro uma casa. Agora posso ver bem como é que isto é mau…! Se os credores aceitarem uma taxa negativa baseados em nada mais do que a boa-fé e no crédito do Governo italiano, eles certamente irão concordar em emprestarem-me o dinheiro para comprar uma casa.

Ficamos com uma estranha hipoteca, que me daria rendimento, em vez de estar a pagar por ela. No caso italiano, uma casa de um milhão dar-me-ia um rendimento a de 19,16 euros por mês.

Isso levanta profundas questões metafísicas. Se uma hipoteca tem juros negativos, isso implica que a casa (que é o valor do capital equivalente) também tem um valor negativo: obviamente, é necessário pagar para alguém aí viver. E se as casas valem menos do que nada … pode-se perguntar o que vale um carro … um anel de diamantes … ou um cruzeiro de luxo.

Isso significa que o dinheiro em si mesmo não tem valor? Ou que tem mesmo um valor francamente negativo? Afinal, não podemos dá-lo a ninguém em troca de um pagamento de juros positivos; agora temos que pagar a alguém para o guardar em vez de sermos nós a fazê-lo… como se fosse uma peça de mobiliário que não somos capazes de o meter em casa mas não o queremos perder .

E se o dinheiro não tem valor, o que se passa então quando se contrata um jardineiro, por exemplo, para arrancar as ervas daninhas do jardim da nossa casa? Temos de o pagar ou é antes o contrário no mundo do dinheiro de valor negativo. Será que tenho de lhe pagar ou será o contrário? Quantas horas é que ele deve trabalhar para mim até que eu aceite receber o seu dinheiro?

Toda esta situação tão contra a natureza que só de pensar nisso ficamos com falta de ar. Estamos cabisbaixos. Mas os nossos leitores são gente inteligente. Talvez nos possam ajudar a entender isto.

Há qualquer coisa de podre no Reino da Suécia

Tudo isto era apenas um prelúdio para o estranho caso da Suécia. Tudo o que sabemos sobre este país, é o que nós aprendemos ao ver o filme Millennium. O que se reteve em grandes traços é que os suecos tendem a ser assassinos, sádicos, lésbicas ou tímidas meninas de costura. Talvez isso explique o sistema financeiro tortuoso que os suecos estão a criar. Segundo o blog Business Insider:

“A Suécia prepara-se para ser o primeiro país a mergulhar os seus cidadãos numa experiência económica fascinante e terrível: as taxas de juros negativas numa sociedade sem dinheiro vivo, sem papel moeda.

O banco central sueco, Sveriges Riksbank, na quarta-feira manteve a sua taxa de base em menos 0,35%, o nível em que está desde Julho.

Mesmo se os bancos ainda não reflectem a taxa negativa sobre os consumidores suecos, enfrentam já uma pressão crescente para o fazerem, enquanto as taxas permanecem ao seu nível actual. Este é um problema, na medida em que a Suécia é o país no mundo que está mais próximo de uma sociedade sem dinheiro, numa sociedade em que só há dinheiro electrónico.

Devemos saber que a Suécia é um lugar onde, se se utiliza demasiado dinheiro em papel moeda, os bancos chamam a polícia por pensaram que a pessoa pode ser um terrorista ou um criminoso. Os bancos suecos começaram a suprimir as máquinas ATM nas zonas rurais, irritando os idosos e os agricultores. De acordo com o Credit Suisse, a regra básica na Escandinávia é: “se pagar em dinheiro, há qualquer coisa que não está bem “.

A resistência está a crescer e algumas pessoas estão já a protestar contra a próxima extinção das moedas. Björn Eriksson, ex-chefe da Polícia Nacional Sueca e agora chefe do Säkerhetsbranschen, um grupo de lobby para o sector da segurança, disse ao jornal The Local: ‘Já ouvi falar de pessoas que guardam o seu dinheiro no forno microondas porque os bancos não o querem aceitar. ‘ “

Os leitores prevenidos reconhecerão as taxas negativas neste caso: nós acompanhamos o caso desde há algum tempo e admitimos que esta política em breve estará em prática na maioria das economias desenvolvidas. Acreditamos que as autoridades vão limitar o uso de dinheiro, tanto quanto possível para estender o seu poder sobre a economia e serem capaz assim capazes de taxar e em condições de poderem tributar e gastar à vontade o que quiserem sem nenhuma forma de processo democrático.

A Suécia está à frente: só podemos esperar que ela faça um bom bocado do caminho rapidamente … e exploda em estilhaços antes que nós venhamos a ser todos afectados.

***

Montagem feita a partir dos textos:

Bill Bonner, Et si on taxait votre épargne? . Texto disponível em :

http://www.contrepoints.org/2016/03/06/241724-et-si-on-taxait-votre-epargne

La Chronique AGORA, Intérêts négatifs et société sans cash : l’Italie et la Suède défrichent le terrain. Texto disponível em :

http://la-chronique-agora.com/interets-negatifs-societe-sans-cash/

e também de documentação do Ministério de Economia e Finanças e do Tesouro italiano

 

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