EDITORIAL: O QUE FAZ FALTA…

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Hoje, 2 de Agosto, comemoramos dois aniversários – o nosso e o do nascimento de José Afonso. O nosso é o quinto e não justifica muitas palavras – cinco, anos – 40 mil posts, mais de um  milhão de visitantes mais de dois milhões de visualizações, 80 colaboradores – portugueses e galegos, brasileiros, franceses, italianos, catalães… Sobre o Zeca, que faria 87 anos, sabemos que se fosse vivo estaria connosco,  seria um argonauta. Foi o maior e o mais extraordinário cantor autor do século XX, grande amigo de muitos de nós e com ele, seríamos maiores – sem desprimor para os que estão a bordo.

Mas não está – liga-nos a grande saudade que dele temos e o facto (que alguns argonautas não aceitam) de não sectarizarmos a nossa posição – o Zeca foi um homem de esquerda – de qual esquerda? de todas. O PCP é reformista? É. Procura modificar a realidade opressora dos explorados a partir de posições que seriam revolucionárias há duzentos anos, mas que hoje são totalmente ineficazes, tão desfasados da realidade como a máquina a vapor o é de um computador. O PS é neoliberal? É, ou pelo menos nas suas expressões mais «realistas», aceita o neoliberalismo. O Bloco de Esquerda é um poço de contradições? É quem numa perspectiva de esquerda, aceitaria federar trotsquistas com admiradores de Enver Hodja?

E, ficando-nos por estas três amostras, não podemos deixar de verberar a presença de revolucionários numa Assembleia da República conservadora (não encontramos termo menos hostil), onde homens e mulheres honestos convivem com bandalhos da mais repelente indignidade ~ obedecendo a um regimento que obriga a tratar ratazanas e coelhos de peluche por V. Ex.ª. Como demonstra numa entrevista concedida a dois argonautas – o Carlos Leça da Veiga e Rui de Oliveira (para uma revista que alguns de nós editámos há cerca de trinta anos) – o Zaca estava tudo menos distraído – nunca recusando actuar para reformistas, trotskas,  xuxas, metralhas, prochinetas,  fininhos…

Este simulacro de democracia que nos governa, através de títeres, ladrões, crentes no pai natal e outras espécies que Lineu não identificou, é uma pocilga, mas os que crêem na democracia tout court, que não a usam e que a tentam servir, merecem ser respeitados. Porque o que faz falta…

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