
A frase acima transcrita foi dita por Enrico Berlinguer (1922 – 1984), em 1981, numa entrevista a Eugenio Scalfari, então director do jornal italiano La Repubblica. O secretário-geral do partido comunista italiano, nessa entrevista, dada já no tempo do compromisso histórico que celebrou em 1976 com o partido democrata-cristão para tornar governável o seu país, afirma a certa altura que a degeneração dos partidos é o ponto essencial da crise italiana. E transcrevemos outro passo da entrevista, agradecendo a Publico.es e a La Repubblica:
Los partidos actuales son sobre todo máquinas de poder y de clientelismo; hay un escaso o mistificado conocimiento de la vida y de los problemas de la sociedad, de la gente; las ideas, los ideales, los programas son pocos o vagos; los sentimientos y la pasión civil, cero. Administran intereses, los más disparatados, los más contradictorios, algunas veces incluso sospechosos, en cualquier caso sin ninguna relación con las exigencias y las necesidades humanas emergentes, o distorsionan esos intereses, sin perseguir el bien común. Su misma estructura organizativa está conformada de acuerdo con este modelo, y ya no son organizadores del pueblo, formaciones que promueven el desarrollo civil y la iniciativa: son más bien federaciones de corrientes, de camarillas, cada una con un “jefe” y “subjefes”.
A tradução de italiano para castelhano é de Valentina Valverde, a quem também devemos agradecimentos. Berlinguer faleceu três anos depois de dar esta entrevista. O partido comunista italiano desapareceu em 1991, dando lugar aos democratas de esquerda, com os resultados que se conhecem. Muitas observações se fazem, e mais se poderão fazer à carreira e ao pensamento de Berlinguer. Mas as suas palavras continuam a ser dignas de consideração. Tal como se reconhece no artigo de Publico.es a que podem aceder clicando no primeiro link abaixo, e que introduz esta entrevista que acima referimos, o problema é o mesmo no reino espanhol, hoje em dia, e nós podemos, sem exagero, acrescentar: e em Portugal, hoje em dia, claramente. Basta considerar o historial das privatizações, a questão do ensino público versus ensino privado e os dramas do serviço nacional de saúde, incluindo o caso da ADSE, que ameaça ser resolvido em função dos interesses de quem recebe o dinheiro, e não de quem necessita de assistência na doença.
Propomos que cliquem nestes links:
http://ctxt.es/es/20160727/Firmas/7582/editorial-Scalfari-Berlinguer-Rajoy-Cebrian.htm
http://ctxt.es/es/20160727/Politica/7583/PCI-Berlinguer-cuestion-moral-Scalfari-Italia.htm
