Recordar a data de acontecimentos importantes, que podem ir desde o nascimento de uma personalidade, que trouxe algo de significativo (mesmo que seja malévolo) à vida da humanidade, uma descoberta científica, a descoberta de uma ilha ou de um continente (com todas as controvérsias associadas), até acontecimentos militares e políticos, é da maior importância, pelos ensinamentos que se podem tirar, para o presente e para o futuro. Alguns dirão que na verdade o ano tem só 365 dias e que todos os dias da já longa história da humanidade ocorreram factos dignos de recordar e de que se podem tirar ensinamentos. É verdade, mas essa constatação só reforça a importância de os recordar e interpretar. O papel dos cronistas, historiadores e de especialistas afins é cada vez mais crucial nos tempos que correm.
O dia 6 de Agosto não é uma excepção ao que acima se disse. Factos como a inauguração da ponte 25 de Abril (1966), que completa hoje 50 anos, a independência da Bolívia (1825) e da Jamaica (1962), a aterragem em Marte da sonda espacial Mars Science Laboratory (2011) e muitos outros foram da maior importância, sem dúvida que a diferentes níveis. Mas um sobressai sobre todos, pelo impacto que teve, pelo horror que causou, e pelas interrogações que levantou na consciência de todos nós, pelo menos aos que se preocupam com um mínimo de coerência com a vida e com o destino da humanidade. Foi o lançamento da bomba atómica, Little Boy, sobre Hiroxima, matando instantaneamente cerca de 80 000 pessoas, e afectando um número ainda maior de outras.
Não foi com certeza a primeira vez que se lançou um ataque militar deliberadamente sobre populações civis. Só durante a Segunda Guerra Mundial, para além de Hiroxima e Nagasaki, há a referir os bombardeamentos de Dresden, em Fevereiro de 1945, onde morreram dezenas de milhar de pessoas, e de Tóquio, em Março de 1945, que alguns dizem ter sido o bombardeamento mais mortífero da história, e terá provocado cerca de cem mil mortos.
Claro que não foram só os aliados a cometerem atrocidades contra civis, com acções destinadas a lançar o terror. Os crimes de guerra dos japoneses na China e noutros países que ocuparam antes e durante a Segunda Guerra Mundial, e dos alemães na Rússia (sem agora referirmos os campos de concentração) ainda hoje não são completamente conhecidos. Mas o uso da arma atómica, cujo potencial destrutivo talvez ainda não fosse completamente conhecido na altura, mas que já se sabia ser muito maior do que o de todo o armamento então existente, prova haver por parte de quem o utilizou uma vontade de destruição ilimitada, sem respeito por qualquer norma ou código. Essa vontade não será com certeza exclusiva dos dirigentes americanos da Segunda Guerra Mundial. O pior é que está muito generalizada.