Já aqui referimos em A Viagem dos Argonautas, assim como outras pessoas, noutros meios de comunicação, como tem sido transmitida através de vários resultados eleitorais, uma insatisfação crescente mal definida em relação às diferentes governações, e mais do que isso, em relação aos sistemas políticos dominantes nos países do Ocidente, e não só. Mais do que escolherem as personalidades para conduzir os governos, ou os programas que estes deverão aplicar, há cada vez mais indicações de que os eleitores, ao depositarem o seu voto numa dada eleição, procuram expressar algo que vai mais longe do que as opções que em princípio deverão ser escolhidas nessa eleição em concreto. À falta de outros meios, usam o voto mais para expressar o seu descontentamento com o sistema político vigente, com o estado geral da sociedade em que vivem, e menos para escolher um presidente ou um partido. Sem dúvida que tal situação se deve, em primeiro lugar, às insuficiências dos próprios sistemas políticos. Estes, dominados por interesses com que o público em geral não se identifica, mas também não consegue contrariar, por falta de vontade ou de conhecimento (ou dos dois juntos), funcionam cada vez mais na base da ilusão geral. Daí as promessas e programas eleitorais que não são para cumprir, as personalidades sedutoras, mas de pouca densidade ética e cívica, a política centrada em ideias aparentemente simples, mas de consequências incalculáveis pelo simples cidadão, em poucas palavras, aquilo a que se chama o populismo.
Parece claro que estamos numa época em que se sente a necessidade de mudanças nos sistemas políticos. O conseguir que essas mudanças ocorram com a compreensão e a participação de todos, ou pelo menos da maioria, é o grande desafio que temos pela frente.