O acordo do governo Costa com o patronato sobre a TSU foi claramente um erro grave. Porquê? Por várias razões, a principal é a de que assim António Costa e o seu governo ficam claramente nas mãos do patronato. Está preparado o caminho para, no futuro, sempre que houver uma melhoria para os trabalhadores, se ter de compensar o outro lado da barricada. Falamos em o outro lado da barricada, porque não há no nosso país ninguém mais imbuído de um espírito de confronto do que o patronato. Não entraremos neste momento numa análise das razões porque assim é, apenas constatamos. Dir-nos-ão que estamos a ser injustos e que seria de toda a conveniência que se reconhecesse as vantagens de uma maior colaboração, de entendimento (“que nos déssemos as mãos”…). Talvez fosse assim se não fosse tão clara a frieza e a determinação que são a regra nas negociações como as que decorrem no conselho chamado de concertação social.
O caso do salário mínimo é paradigmático. O salário mínimo nunca foi bem aceite pelo patronato, porque a sua instituição equivaleu à imposição de um limite, abaixo do qual seria indecente pagar em quaisquer circunstâncias, e que assim foi tornado legal. Entretanto o governo Costa para facilitar (chamemos-lhe assim) a aceitação do modesto aumento de 530 para 557 euros, resolveu atribuir uma compensação ao patronato, diminuindo o encargo deste com a TSU. Ora, baixo como é o salário mínimo em Portugal, não será excessivo pensar no seu aumento nos anos que se seguem, tendo em conta, entre outros aspectos, que a inflação, ao que se prevê, vai aumentar. E também não será excessivo prever que o patronato vai tentar ser compensado, cada vez que isso acontecer. E que a compensação a que aspira vai ser na TSU, cujo valor simbólico é muito grande em todo o sistema, para além do suporte real que representa para a segurança social.
Não lhes passa pela cabeça que tudo esteja a acontecer para que o PSD – eternamente avançados mentais – fique responsável pelo fim da chamada concertação social. Então um grupo de particulares arroga-se no direito de mandar mais que os ditos parlamentares? Quantas outras vontades não têm qualquer representação naquele beco sem saída alcunhado de concertação social. Digam lá quem inventou esta armadilha?.CLV
Não lhes passa pela cabeça que tudo esteja a acontecer para que o PSD – eternamente avançados mentais – fique responsável pelo fim da chamada concertação social. Então um grupo de particulares arroga-se no direito de mandar mais que os ditos parlamentares? Quantas outras vontades não têm qualquer representação naquele beco sem saída alcunhado de concertação social. Digam lá quem inventou esta armadilha?.CLV