
Selecção e tradução de Francisco Tavares

19 de Janeiro de 2017

O antigo presidente dos Estados Unidos Bill Clinton entra em palco na Clinton Global Initiative. (AP)
Enquanto toda a gente estava reunida para a tomada de posse do presidente Trump, a Fundação Clinton fez esta semana um importante anúncio que passou quase sem se notar: para todos os efeitos vai fechar as suas portas.
Numa declaração fiscal, a Clinton Global Initiative disse que vai despedir 22 funcionários e fechar os seus escritórios, um resultado da repentina secagem do poço de dinheiro estrangeiro que mantinha a fundação a funcionar, após o fracasso de Hillary Clinton na corrida presidencial.
Comprova aquilo que temos vindo a dizer desde o início: a Fundação Clinton Foundation era pouco mais do que um esquema de tráfico de influências para enriquecer os Clintons, e tinha pouco que ver, se é que tinha, com “ação de beneficência”,” fosse no estrangeiro ou fosse nos EUA. Aquele som que começou a ouvir-se em novembro era o dos livros de cheques a fecharem por todo o mundo pertencententes àqueles que esperavam que os seus donativos poderiam comprar o acesso à próxima presidente dos Estados Unidos.
E porque não? Havia um forte precedente aquando do mandato de Hillary Clinton como secretária de estado [nt. equivalente a ministra dos negócios estrangeiros]. Enquanto serviu como chefe da diplomacia da nação, a Fundação Clinton obteve dinheiro de pelo menos sete governos estrangeiros — uma clara violação da promessa de Clinton de que com a tomada de posse haveria uma total separação entre as suas obrigações e a fundação.
Existem provas irrefutáveis? De entre os 154 privados que tiveram ou reuniões oficiais ou chamadas telefónicas agendadas com Hillary Clinton enquanto ela foi secretária de estado, pelo menos 85 eram doadores da Fundação Clinton ou de algum dos seus programas.
Em novembro, colocámos a seguinte questão: “Está a Fundação Clinton condenada?” A resposta é, sim, está.
Recuando a maio, sublinhámos como a Fundação Clinton Foundation tinha obtido $100 milhões de uma coleção de sheikhs e bilionários do Golfo, juntamente com milhões de empresas privadas, que contavam ter — e tiveram — acesso privilegiado à chefe do Departamento de Estado, Hillary.
No seu livro de 2015 “Clinton Cash,” o autor Peter Schweizer mostrou como durante os anos de Hillary no governo “os Clintons conduziram ou facilitaram centenas de grandes transações (seja como cidadãos privados seja como responsáveis do governo) com governos estrangeiros, grandes empresas e financeiros privados.” Ele apelidou as somas que foram para às mãos dos Clintons de “vertiginosas.”
Recorrendo à Lei de Liberdade de Informação, em agosto a Judicial Watch conseguiu aceder a emails (que tinham sido escondidos dos investigadores) que mostram que a assistente chefe de Clinton no Departamento de Estado, Huma Abedin, tinha proporcionado “acesso privilegiado à secretária de estado” àqueles que tinham doado à Fundação Clinton entre $25,000 e $10 milhões. Muitos destes acessos foram facilitados por um antigo executivo da fundação, Doug Band, que chefiava a Teneo, uma empresa de fachada que geria os negócios dos Clintons.
Como parte deste elaborado arranjo, Abedin teve uma autorização especial para trabalhar simultaneamente para o Departamento de Estado, para a Fundação Clinton e para a Teneo — outro claro conflito de interesses.
Como disse na altura o presidente da Judicial Watch, Tom Fitton, “estes novos emails confirmam que Hillary Clinton abusou do seu cargo vendendo favores a doadores da Fundação Clinton”.
A indigente epopeia não acaba aqui. Na verdade, existem tantas facetas dessa epopeia que algumas poderão nunca virem a ser conhecidas. Mas existem ainda, pelo menos uma e possivelmente quatro investigações federais ativas sobre as supostas ações de beneficência dos Clintons.
Os americanos não estão dispostos a perdoar e esquecer. No início deste mês a sondagem IBD/TIPP questionou os americanos sobre se eles gostariam que o presidente Obama perdoasse Hillary por quaisquer crimes que ela pudesse ter cometido enquanto secretária de estado, incluindo o uso ilegal de um servidor familiar de email desprotegido. Dos inquiridos, 57% responderam negativamente. Deste modo, se a opinião pública servir de orientação, os problemas dos Clintons poderão apenas ter começado.
Escrevendo no Washington Post em Agosto de 2016, Charles Krauthammer basicamente resumiu toda esta palpitante história: “A fundação é um empreendimento familiar maciço disfarçado de instituição de beneficência, um mecanismo opaco e complexo para sacar dinheiro dos ricos e dos tiranos e canalizá-lo para a Clinton Inc.,” escreveu ele. “O seu propósito é manter o estilo de vida dos Clinton (escritórios, despesas com viagens, etc.), garantir ligações lucrativas, produzir publicidade favorável e de modo fiável empregar um vasto séquito de partidários, prontos a servir a atual e vindoura restauração clintoniana”.
Salvo que não haverá restauração clintoniana. Assim, não existem motivos para quaisquer doadores darem dinheiro à fundação. Nela se mostra a ficção de uma “instituição de beneficência,” maciça e mostra-o tal como era: uma vigarice para trocar por dinheiro a declinante influência deste proeminente poderoso casal Democrata. No que diz respeito ao panorama da beneficência, ninguém sentirá a falta da Clinton Global Initiative.
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