Os textos dispersos de Herberto Hélder, entre os quais alguns inéditos, estão disponíveis para consulta na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A viúva do poeta – falecido a 23 de Março de 2015 – autorizou a digitalização do acervo, um trabalho dirigido pela Faculdade de Letras e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. A digitalização está concluída e é possível consultar os textos deixados em vários cadernos, escritos dispersos e até uma recolha de quadras populares sobre as bordadeiras do Monte, freguesia do Funchal de onde era natural o pai do poeta.
A gestão é da Faculdade de Letras do Porto e a execução dos trabalhos de digitalização do acervo é da responsabilidade de Mariana Vieira Pinto, sob coordenação de Fernanda Ribeiro, Directora e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. João Emanuel Cabral Leite, através dos Serviços de Documentação e de Informação, é o responsável pela consulta do Espólio: Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
No entanto Arnaldo Saraiva foi um dos grandes impulsionadores deste processo com o objectivo de que não viessem a perder-se, em caso de um qualquer acidente, os documentos em questão e para que pudessem ser de mais fácil acesso para investigadores interessados. À Lusa, o Professor afirmou:
“Não tanta como poderíamos imaginar ou esperar, porque Herberto não era do estilo de guardar tudo, de arquivar tudo”, e que “a obra de Herberto merece bem estudo e leitura permanente e também se pode dizer que a letra dele, no caso de manuscritos, era bem mais clara do que a de Fernando Pessoa”.
Lembramos que Herberto Helder deu a última entrevista em 1968, recusou o Prémio Pessoa em 1994, e editou, em 2014, o livro “A morte sem mestre”.


