

As séries americanas. Os americanos. Aquela cultura. Aquele horror – cultural e de vida.
Convidar-vos-ia (a vós – sim a vós, a todos vós, intelectuais de pacotilha, teóricos da net, de ensaios e literatura, politizados de Esquerda e de cátedra, acima de toda a suspeita e vulgaridade – convidar-vos-ia a ver.
A Ver.
Sim, a ver, mesmo que de raspão. Ou, vamos lá, a acreditar em quem vê.
Os seiscentos e oitenta e sete canais de televisão (americana) que a liberdade de escolha dos operadores destas merdas de que dependemos e no meio das quais chafurdamos, nos concedem, nos permitem, nos oferendam, solícitas, oportunistas, calhadas e ternurentas.
O zeróis másculos, ásperos, violentos e musculados, a matar que se fartam, várias vezes ao dia e todos os dias, em nome daqueles impossíveis valores americanos, que coincidem com a inquinada e doentia imaginação do zadolescentes periféricos, que enebriam o pobre e suburbano mulherio que os consome.
E tudo isto por mais alguns dólares, por mais alguns euros por mês, keke custa?
Depois de verem, apalparem, sopesarem e degustarem toda aquela sinistra violência e imbecilidade ofertada e gratuita, de que não fazem a menor ideia (embora pensem que sabem, que sabem tudo, raramente se enganem e nunca tenham dúvidas) ocupados que estão a tempo inteiro, com a vossa masturbação intelectual de causa e efeito, do comportamentos do povo em que acreditam ou fingem acreditar, mas no fundo deploram – depois de uma descida aos infernos que ignoram, seus teóricos da treta e ratos de biblioteca – talvez percebessem, talvez duvidassem das certezas que vos enfermam e enformam.
Talvez volvessem a pensar. De que só sabem que nada sabem, como qualquer de nós. Que alguma humildade não só não vos ficaria mal, como talvez ajudasse. A vós próprios e a quem realmente precisa.
